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quinta-feira, 28 de maio de 2009

O que é o amor?

Esta foi uma pesquisa feita por profissionais de educação e psicologia com um grupo de crianças de 4 a 8 anos.



As crianças são sábias... vamos aprender juntos???

Respostas:

"Amor é quando alguém te magoa, e você, mesmo muito magoado, não grita, porque sabe que isso fere seus sentimentos" - Mathew, 6 anos

"Quando minha avó pegou artrite, ela não podia se debruçar para pintar as unhas dos dedos do pé. Meu avô, desde então, pinta as unha para ela. Mesmo quando ele tem artrite" - Rebecca, 8 anos

"Eu sei que minha irmã mais velha me ama, porque ela me dá todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras" - Lauren, 4 anos

"Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos, mesmo conhecendo há muito tempo" - Tommy, 6 anos

"Quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é diferente" - Billy, 4 anos

"Amor é quando você sai para comer e oferece suas batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela" - Chrissy, 6 anos

"Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai e toma um gole antes, ara ter certeza que está do gosto dele" - Danny, 6 anos

"Amor é o que está com a gente no natal, quando você pára de abrir os presentes e o escuta" - Bobby, 5 anos

"Se você quer aprender a amar melhor, você deve começar com um amigo que você não gosta. - Nikka 6 anos.

"Quando você fala para alguém algo ruim sobre você mesmo e sente medo que essa pessoa não venha a te amar por causa disso, aí você se surpreende, já que não só continuam te amando, como agora te amam mais ainda" - Samantha , 7 anos

"Há dois tipos de amor, o nosso amor e o amor de deus, mas o amor de deus junta os dois" - Jenny, 4 anos

"Amor é quando mamãe vê o papai suado e mal cheiroso e ainda fala que ele é mais bonito que o Robert Redford" - Chris, 8 anos

"Durante minha apresentação de piano, eu vi meu pai na platéia me acenando e sorrindo. Era a única pessoa fazendo isso e eu não sentia medo" - Cindy, 8 anos

"Não deveríamos dizer eu te amo a não ser quando realmente o sintamos. e se sentimos, então deveríamos expressá-lo muitas vezes. As pessoas esquecem de dizê-lo" - Jessica, 8 anos

"Amor é se abraçar, amor é se beijar, amor é dizer não" - Patty, 8 anos

"Amor é quando seu cachorro lambe sua cara, mesmo depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro" - Mary Ann, 4 anos

"Deus poderia ter dito palavras mágicas para que os pregos caíssem do crucifixo, mas ele não disse isso. Isso é amor" - Max, 5 anos".



Para que você possa viver o amor não é preciso procurar muito, ele está nas pequenas coisas...
Apenas ame como criança, e será muito feliz.
Saudações a todos,
Professor Fernando

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O que é a Torá Judaica?

Torá (do hebraico תּוֹרָה, significando instrução, apontamento, lei) é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah, חמשה חומשי תורה - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo. Contém os relatos sobre a criação do mundo, da origem da humanidade, do pacto de Deus com Abraão e seus filhos, e a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis que teriam sido dadas a Moisés para que entregasse e ensinasse ao povo de Israel.

Chamado também de Lei de Moisés (Torat Moshê, תּוֹרַת־מֹשֶׁה), hoje a maior parte dos estudiosos do Criticismo Superior concordam que Moisés não é o autor do texto que possuímos, mas sim que se trate de uma compilação posterior, enquanto os estudiosos do Criticismo Inferior acreditam que o texto foi escrito pelo próprio Moshê, incluindo as partes que falam sobre sua morte. Por vezes o termo "Torá" é usado dentro do judaísmo rabínico para designar todo o conjunto da tradição judaica, incluindo a Torá escrita, a Torá oral (ver Talmud) e os ensinamentos rabínicos. O cristianismo baseado na tradução grega Septuaginta também conhece a Torá como Pentateuco, que constitui os cinco primeiros livros da Bíblia cristã.

Índice [esconder]
1 Divisão da Torá
2 Origens e desenvolvimento da Torá
3 Conteúdo
4 Ver também
5 Ligações externas



[editar] Divisão da Torá
As cinco partes que constituem a Torá são nomeadas de acordo com a primeira palavra de seu texto, e são assim chamadas:

בראשית, Bereshit - No princípio conhecido pelo público não-judeu como Gênesis
שמות, Shemot - Os nomes ou Êxodo
ויקרא, Vaicrá - E chamou ou Levítico
במדבר, Bamidbar- No ermo ou Números
דברים, Devarim - Palavras ou Deuteronômio
Geralmente suas cópias feitas à mão, em rolos, e dentro de certas regras de composição, usadas para fins litúrgicos, são conhecidas como Sefer Torá, enquanto suas versões impressas, em livro, são conhecidas como Chumash.


[editar] Origens e desenvolvimento da Torá
A tradição judaica mais antiga defende que a Torá existe desde antes da criação do mundo e foi usada como um plano mestre do Criador para com o mundo, humanidade e principalmente com o povo judeu. No entanto, a Torá como conhecemos teria sido entregue por Deus a Moisés, quando o povo de Israel, após sair do cativeiro no Egito, peregrinou em direção à terra de Canaã. As histórias dos patriarcas, aliados ao conjunto de leis culturais, sociais, políticas e religiosas serviram para imprimir sobre o povo um sentido de nação e de separação de outras nações do mundo.

De acordo com algumas tradições, Moisés é o autor da Torá, e até mesmo a parte que discorre sobre sua morte (Devarim Deuteronômio 32:50-52) teria sido fruto de uma visão antecipada dada por Deus. Outros defendem que, ainda que a essência da Torá tenha sido trazida por Moisés, a compilação do texto final foi executada por outras pessoas. Este problema surge devido ao fato de existirem leis e fatos repetidos, narração de fatos que não poderiam ter sido escritos na época em que foram escritos e incoerência entre os eventos, que mostra a Torá como sendo fruto de fusões e adaptações de diversas fontes de tradição. A Torá seria o resultado de uma evolução gradual da religião israelita.

A primeira tentativa de sistematizar o estudo do desenvolvimento da Torá surgiu com o teólogo e médico francês Jan Astruc. Ele é o pioneiro no desenvolvimento da teoria que a Torá é constituída por três fontes básicas, denominadas jeovista, eloísta e código sacerdotal, e mais outras fontes além destas três. Deve-se enfatizar que, quando se fala destas fontes, não se refere a autores isolados, mas sim a escolas literárias.

Um estudo sobre a história do antigo povo de Israel mostra que, apesar de tudo, não havia uma unidade de doutrina e desconhecia-se uma lei escrita até os dias de Josias. As fontes jeovista e eloísta teriam sua forma plenamente desenvolvida no período dos reinos divididos entre Judá e Israel (onde surgiria também a versão conhecida como Pentateuco Samaritano). O livro de Deuteronômio só viria a surgir no reinado de Josias (621 a.C.). A Torá como conhecemos viria a ser terminada nos tempos de Esdras, onde as diversas versões seriam finalmente fundidas. Vemos então o início de práticas que eram desconhecidas da maioria dos antigos israelitas, e que só seriam aceitas como mandamentos na época do Segundo Templo como a Brit milá, Pessach e Sucót por exemplo.


[editar] Conteúdo
Em Bereshit é narrada a criação do mundo e do homem sob o ponto de vista judaico, e segue linearmente até o pacto de Deus com Abraão. São apresentados os motivos dos sofrimentos do mundo, a constante corrupção do gênero humano e a aliança que Deus faz com Abraão e seus filhos, justificados pela sua fé monoteísta, em um mundo que se torna mais idólatra e violento. Nos é apresentada a genealogia dos povos do Oriente Médio, e as histórias dos descendentes de Abraão, até o exílio de Jacó e de seus doze filhos no Egito.

Em Shemot mostram-se os fatos ocorridos neste exílio, quando os israelitas tornam-se escravos na terra do Egito, e Deus se manifesta a um israelita-egípcio, Moisés, e o utiliza como líder para libertação dos israelitas, que pretendem tomar Canaã como a terra prometida aos seus ancestrais. Após eventos miraculosos, os israelitas fogem para o deserto, e recebem a Torá dada por Deus. Aqui são narrados os primeiros mandamentos para Israel enquanto povo (antes a Bíblia menciona que eram seguidos mandamentos tribais), e mostra as primeiras revoltas do povo israelita contra a liderança de Moisés e as condições da peregrinação.

Em Vaicrá são apresentados os aspectos mais básicos do oferecimento das korbanot, das regras de cashrut e a sistematização do ministério sacerdotal.

Em Bamidbar continuam-se as narrações da saga dos israelitas no deserto, as revoltas do povo no deserto e a condenação de Deus à peregrinação de quarenta anos no deserto.

Em Devarim estão compilados os últimos discursos de Moisés antes de sua morte e da entrada na Terra de Israel.


[editar] Ver também
Chumash
Pentateuco
Pentateuco samaritano
Sefer Torá
Visão islâmica da Torá
Tanakh

[editar] Ligações externas
União Sefardita Hispano-Portuguesa de Beneficência
Torá
Jewish Encyclopedia: Torah
Torah.Org
Torah Studies
Lidrosh Institute of Torah Education Aúdio em MP3
YUTorah, Arquivo da Torá da Yeshiva University



Este artigo é um esboço sobre Judaísmo. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.

sábado, 23 de maio de 2009

A SOCIOLOGIA MARXISTA

A SOCIOLOGIA

(NA VISÃO DE KARL MARX)


MATERIALISMO HISTÓRICO – INFRAESTRUTURA


Karl Marx (1818-1883), nascido em Trier, produziu uma ciência baseada em vários conhecimentos, sendo, portanto, uma obra complexa.


Marx elaborou sua teoria geral e o programa dos movimentos operários. Assim o marxismo tem suas bases no socialismo científico e no materialismo histórico e dialético.


Marx estabelece uma relação entre a realidade, a filosofia e a ciência. Considera a realidade social como uma concretude histórica, um conjunto de relações de produção construído pela sociedade no tempo e no espaço.


Cada sociedade é representada pela sua totalidade, havendo diversas formas de organização humana diretamente influenciadas pela família, o poder e a religião.


Em sua teoria, Marx tenta entender como a sociedade, em geral, funciona, tendo como base a sociedade do século XIX, cuja filosofia alemã era predominante.


Segundo Marx é necessária a existência do homem, para que este possa pensar, ou seja, primeiro o homem tem que produzir suas condições materiais e concretas de vida, através do trabalho, que são os bens necessários para sua existência e para sua sobrevivência e, só depois disso o homem poderá filosofar.


A esse processo Marx deu o nome de infraestrutura. Existe uma base econômica na sociedade, que está relacionada às formas de produção de bens necessários para a sobrevivência. A própria sociedade cria necessidades sempre superiores em quantidade e qualidade, e são essas necessidades crescentes que incentivam o desenvolvimento constante das forças produtivas.


Assim, o trabalho para o homem é ontológico, quer dizer, é indissociável da existência humana – não é uma opção. É o próprio ser.


O modo de produção consiste nas forças produtivas e nas relações sociais de produção, que juntas criam a existência numa determinada sociedade, historicamente determinada, portanto, por essas forças produtivas.


Forças produtivas: força de trabalho (muscular e mental); tecnologia; ciência; conhecimento; processos e formas de trabalho.


A desigualdade de propriedade cria contradições que provocam um processo revolucionário.

As forças produtivas e as relações sociais determinadas por elas modificam-se a cada momento, por isso são determinadas historicamente e este movimento é na medida em que vão aumentando as necessidades.


É materialismo porque o homem está produzindo sua existência de forma concreta, trabalhando e produzindo as coisas da vida, e assim, a cada mudança nessa maneira de produção faz com que mude a maneira de se viver também.


Para Marx não são os pensamentos que determinam a vida; é a vida que determina os pensamentos: esta é a base do materialismo histórico em contraposição ao idealismo hegeliano. Não são as relações sociais que determinam a vida; é a vida que determina as relações sociais.


É a produção da vida na história, qualitativamente. Vivemos de acordo com a nossa época e produzimos os bens necessários para esse modo de viver, a cada época.


O materialismo histórico se dará onde a consciência do homem é determinada pela realidade social, ou seja, pelo conjuntos de meios de produção, "base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas de consciência social determinada".




CLASSES SOCIAIS




A história humana, determinada pelas contradições nos modos de produção situados em uma formação social (ela própria dominada por um modo de produção) implicam a dominação de uma classe social por outra, acabando por instituir a luta de classes (burguesia x operários – no caso do capitalismo).


Essas duas classes mantêm uma oposição de valores e de interesses, sendo produto da propriedade privada, e sempre existirão em função dela.


Enquanto a sociedade não teve propriedade privada não existiam classes sociais determinadas. A partir do momento em que a sociedade passou a entender que a produção social era de direito de pessoas ou de famílias isoladamente, a propriedade privada estava instaurada.


Na industrialização, a propriedade privada e o assalariamento separam o trabalhador dos meios de produção; como conseqüência, separam o trabalhador do fruto do seu trabalho que foi apropriado pelo capitalista.


A história do homem é a história da luta de classes, da luta constante entre interesses opostos, embora esse conflito nem sempre se manifeste socialmente sob a forma de guerra declarada.


No entanto, a luta na sociedade capitalista foi muito clara, pois jamais a dominação e a exploração humana foram tão evidentes, mesmo havendo uma pequena parcela de burgueses em relação aos operários.


O modo de produção capitalista, enquanto se reproduz em proporções cada vez maiores, reproduz também em idênticas proporções e em número crescente a classe dos operários privados de propriedade. A acumulação do capital não faz mais do que reproduzir esta relação (dominação/exploração) numa escala igualmente progressiva: com mais concentração de renda por um lado, e, com mais assalariados por outro. Acumulação do capital é ao mesmo tempo aumento do proletariado e da exploração do trabalhador assalariado.


O que recria o proletariado não é apenas a pobreza natural, mas a pobreza artificialmente provocada. Não se trata da massa humana mecanicamente dobrada pelo peso da sociedade, mas corresponde a uma forma de produção determinada historicamente – capitalismo.


O exército de reserva (trabalhadores disponíveis) é tanto mais numeroso quanto a riqueza social está concentrada na classe burguesa. E quanto mais aumentar este exército de reserva comparativamente ao exército ativo do trabalho, maior a miséria.


Quanto mais crescer esta camada de "lázaros" da classe assalariada, mais cresce a pauperização da classe trabalhadora (marreteiros).


É esta a lei absoluta e geral da acumulação capitalista. Só a produção capitalista, hoje com toda tecnologia, cria as riquezas e as forças produtivas necessárias para tal, criando ao mesmo tempo, com a massa dos operários oprimidos, a classe social que cada vez mais é obrigada a reivindicar a utilização dessas riquezas e dessas forças produtivas em favor de toda a sociedade e não em favor de uma classe monopolista.




A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA NO MARXISMO




Tendo o poder nas mãos, a burguesia faz o discurso filosófico que convence os trabalhadores de que a proposta de modernidade seria o melhor para o futuro.


O estado burguês de direito político institui a idéia de igualdade, liberdade e fraternidade, conseguindo, com isso, a dominação através de sua ideologia.


A revolução burguesa é um sistema produtivo com inversão de valores. A burguesia tem poder econômico e consegue tomar o poder político para convencer a todos que esse é o melhor caminho.


"Na relação homem-mulher, se vê em que medida o ser humano precisa humanamente de outro ser humano, quer dizer, em que medida, em que existência mais individual o ser humano é ao mesmo tempo um ser social. Se supõe o ser humano como ser humano, colocado numa relação humana com o mundo, só pode trocar amor por amor, confiança por confiança, etc. Nas condições da alienação, todavia, o dinheiro, o ‘poder alienado da humanidade’ quantifica e realiza tudo, subverte todos os valores: transforma a fidelidade em infidelidade, o amor em ódio, o ódio em amor, a virtude em vício, o vício em virtude." (Karl Marx - Manuscritos, 1844)


A burguesia faz uso de um discurso que consiste na afirmação de que todos têm direitos iguais, desde que aceitem a relação de exploração. O dono da fábrica fica com o lucro, cabendo ao assalariado o acesso às melhorias, ou seja, a propriedade privada deve permanecer intocável.


As desigualdades são a base da formação das classes sociais. Dividem os homem em proprietários e não-proprietários. As classes sociais são complementares e interdependentes.


Existe consciência em si e para si. Se eu vivo como burguês, eu penso como burguês. Somente uma diminuta parcela de indivíduos possui a concentração de riquezas, portanto só através de uma consciência burguesa seria possível manter a hegemonia da classe burguesa.




SUPERESTRUTURA




A superestrutura tem que reafirmar que este modo de vida é o correto, a fim de manter o sistema. Agora a filosofia empresta sua contribuição para a formação do Estado burguês.


Superestrutura: Estado, Leis, Normas.


O poder vem de cima para baixo, dizendo que existe a lei e esta tem que ser respeitada.


A sociedade é composta de classes opostas. Existem os opressores e os oprimidos, ou seja, aqueles que detêm o poder e os outros que têm que seguí-los. Existe um conflito constante de interesses opostos. A dominação, portanto, é mascarada, mas está presente.


Existe e sempre existiu a luta constante entre interesses opostos.


O Estado, as leis e as normas existem para reproduzir o sistema burguês e com isso promover a alienação da consciência das classes.


A Revolução Industrial acelerou o processo de alienação do trabalhador, dos meios de produção e dos produtos de seu trabalho. Não é dono dos meios e formas de trabalho e não tem acesso, na maioria das vezes, às mercadorias produzidas.


Marx acredita que, pelo fato do homem ter perdido sua liberdade em função do trabalho, houve uma desvalorização do mundo humano, crescente em razão direta da valorização do mundo das coisas, porque o objeto que o trabalho produz, o seu produto, contrapõe-se-lhe como um ser estranho, como um poder independente do produtor.


A supremacia política do produtor não pode coexistir com a eternização da escravatura social !


Para Marx, os trabalhadores deveriam servir de alavanca para derrubar as bases econômicas em que se fundamenta a existência das classes, e, por conseguinte, a dominação de classes.




O DIREITO E O ESTADO


A ciência jurídica não está acima da sociedade. Não é uma ciência autônoma em relação a vida concreta das pessoas, mas sim a vida concreta das pessoas que vai determinar a ciência jurídica.


A classe burguesa tomou o poder e com isso dita as regras quanto a forma pela qual o direito deverá ser feito, pois como classe hegemônica precisa manter a sociedade civil sob a dominação de sua filosofia ou projeto político.


Caso a classe operária venha a ter esse poder, tanto o direito quanto a ciência jurídica farão com que os privilégios sejam voltados à ela (classe operária), pois, neste caso, é ela que terá que manter a sociedade civil sob a dominação de sua filosofia ou projeto político.


Havendo a extinção da propriedade privada deixará de existir o Estado burguês, porque não haverá necessidade de garantir a exploração do homem pelo homem.


A dialética é o movimento contraditório, cuja contradição leva sempre a estágios superiores de qualidade (homem/mulher; paz/guerra; verdade/mentira; realidade/sonho; aparência/essência).


O materialismo histórico dialético, portanto, é que coloca a simultaneidade da matéria e do espírito, e a constituição do concreto por uma evolução concebida como "desenvolvimento por oposições, por contradições, por revoluções", gerando a evolução em um grau mais alto de qualidade, pela "negação da negação". É a "ciência das leis gerais do movimento dialético, tanto no mundo exterior, quanto no pensamento humano".


A sociedade é composta de contradições e oposições. Portanto, a luta de classes é incessante.




A questão da objetividade só se coloca enquanto consciência crítica. A ciência, assim como a ação política, só pode ser verdadeira e não ideológica se refletir uma situação de classe e, consequentemente, uma visão crítica da realidade.


Como o Direito não pode se colocar acima das condições concretas de produção material da existência humana, produção e condições essas históricas e determinadas, o Direito será, sempre, como toda a filosofia que pretende regulamentar a convivência social, produto de seu tempo e da sociedade como ela se produz concretamente.


Em algum momento, as condições materiais de vida e as relações sociais que delas derivam, se chocam com o aparato do Estado e das Leis Jurídicas que lhes dão substância. Neste momento, ou mudam as Leis, e o Estado, ou se entrava o desenvolvimento da sociedade (técnico e filosófico).


Assim, a Lei pode e deve ser vista como um aparato capaz de se adaptar, moldar, nas formas de produzir e de viver de cada sociedade, em cada momento dado.










Prof. José Fernando

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O que é Religião?

RELIGIÃO deriva do termo latino "Re-Ligare", que significa "religação" com o divino. Essa definição engloba necessariamente qualquer forma de aspecto místico e religioso, abrangendo seitas, mitologias e quaisquer outras doutrinas ou formas de pensamento que tenham como característica fundamental um conteúdo Metafísico, ou seja, de além do mundo físico.

Sendo assim o hábito, geralmente por parte de grupos religiosos de taxarem tal ou qual grupo religioso rival de seita, não têm apoio na definição do termo. SEITA, derivado da palavra latina "Secta", nada mais é do que um segmento minoritário que se diferencia das crenças majoritárias, mas como tal também é religião.

HERESIA é outro termo mal compreendido. Significa simplesmente um conteúdo que vai contra a estrutura teórica de uma religião dominante. Sendo assim o Cristianismo foi uma Heresia Judáica assim como o Protestantismo uma Heresia Católica, ou o Budismo uma Heresia Hinduísta.

A MITOLOGIA é uma coleção de contos e lendas com uma concepção mística em comum, sendo parte integrante da maioria das religiões, mas suas formas variam grandemente dependendo da estrutura fundamental da crença religiosa. Não há religião sem mitos, mas podem existir mitos que não participem de uma religião.

MÍSTICA pode ser entendida como qualquer coisa que diga respeito a um plano sobre material. Um "Mistério".

Veja aqui uma lista de palavras relacionadas e seus significados.

PRESENÇA DA RELIGIÃO EM TODA A CULTURA HUMANA

Não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra "ciência" social, de um grupamento humano em qualquer época que não tenha professado algum tipo de crença religiosa. As religiões são então um fenômeno inerente a cultura humana, assim como as artes e técnicas.

Grande parte de todos os movimentos humanos significativos tiveram a religião como impulsor, diversas guerras, geralmente as mais terríveis, tiveram legitimação religiosa, estruturas sociais foram definidas com base em religiões e grande parte do conhecimento científico, "filosófico" e artístico tiveram como vetores os grupos religiosos, que durante a maior parte da história da humanidade estiveram vinculados ao poder político e social.

Hoje em dia, apesar de todo o avanço científico, o fenômeno religioso sobrevive e cresce, desafiando previsões que anteveram seu fim. A grande maioria da humanidade professa alguma crença religiosa direta ou indiretamente e a Religião continua a promover diversos movimentos humanos, e mantendo estatutos políticos e sociais.

Tal como a Ciência, a Arte e a Filosofia, a Religião é parte integrante e inseparável da cultura humana, é muito provavelmente sempre continuará sendo.

Veja aqui
Minha teoria Psicogênica da Religião
Minha teses sobre a relação entre Ética e Religião

TIPOS DE RELIGIÕES

Há várias formas de religião, e são muitos os modos que vários estudiosos utilizam para classificá-las. Porém há características comuns às religiões que aparecem com maior ou menor destaque em praticamente todas as divisões.

A primeira destas características e cronológica, pois as formas religiosas predominantes evoluem através dos tempos nos sucessivos estágios culturais de qualquer sociedade.

Outro modo é classificá-las de acordo com sua solidez de princípios e sua profundidade filosófica, o que irá separá-las em religiões com e sem Livros Sagrados.

Pessoalmente como um estudioso do assunto, prefiro uma classificação que leva em conta essas duas características, e divide as religiões nos seguintes 4 grandes grupos distintos.

PANTEÍSTAS

POLITEÍSTAS
MONOTEÍSTAS

ATEÍSTAS

Nessa divisão há uma ordem cronológica. As Religiões PANTEÍSTAS são as mais antigas, dominando em sociedades menores e mais "primitivas". Tanto nos primórdios da civilização mesopotâmica, européia e asiática, quanto nas culturas das Américas, África e Oceania.

As Religiões POLITEÍSTAS por vezes se confundem com as Panteístas, mas surgem num estágio posterior do desenvolvimento de uma cultura. Quanto mais a sociedade se torna complexa, mais o Panteísmo vai se tornando Politeísmo.

Já as MONOTEÍSTAS são mais recentes, e atualmente as mais disseminadas, o Monoteísmo quantitativamente ainda domina mais de metade da humanidade.

E embora possa parecer estranho, existem religiões ATEÍSTAS, que negam a existência de um ser supremo central, embora possam admitir a existência de entidades espirituais diversas. Essas religiões geralmente surgem como um reação a um sistema religioso Monoteísta ou pelo menos Politeísta, e em muitos aspectos se confunde com o Panteísmo embora possua características exclusivas.

Essa divisão também traça uma hierarquia de rebuscamento filosófico nas religiões. As Panteístas por serem as mais antigas, não têm Livros Sagrados ou qualquer estabelecimento mais sólido do que a tradição oral, embora na atualidade o renascimento panteísta esteja mudando isso. Já as politeístas muitas vezes possuem registros de suas lendas e mitos em versão escrita, mas Nenhuma possui uma REVELAÇÃO propriamente dita. Isto é um privilégio do Monoteísmo. TODAS as grandes religiões monoteístas possuem sua Revelação Divina em forma de Livro Sagrado. As Ateístas também possuem seus livros guias, mas por não acreditarem num Deus pessoal, não tem o peso dogmático de uma revelação divina, sendo vistas em geral como tratados filosóficos.

Vejamos alguns quadros comparativos.





ÉPOCAS DE SURGIMENTO E PREDOMÍNIO.

PANTEÍSMO:
As mais antigas, remontando a pré-história onde tinham predominância absoluta, e também presentes em muitos dos povos silvícolas das Américas, África e Oceania.

POLITEÍSMO:
Surgem num estágio posterior de desenvolvimento social, tendo sido predominantes na Idade Antiga em todo o velho mundo, e mesmo nas civilizações mais avançadas das Américas pré-colombianas.

MONOTEÍSMO:
Mais recentes, surgindo a partir do último milênio aC e predominando da Idade Média até a atualidade.

ATEÍSMO:
Surgem a partir do século V aC, tendo vingado somente no Oriente e no Ocidente ressurgindo somente após a renascença numa forma mais filosófica que religiosa.

Neo PANTEÍSMO:
Embora possuam representantes em todos os períodos históricos, popularizam-se ou surgem a partir do século XVIII.





BASE LITERÁRIA

PANTEÍSMO:
Próprias de culturas ágrafas, não possuem em geral qualquer forma de base escrita, sendo transmitidas por tradição oral.

POLITEÍSMO:
Nas sociedades letradas possuem frequentemente registros literários sobre seus mitos, e mesmo nas ágrafas possuem tradições icônicas mais elaboradas.

MONOTEÍSMO:
Possuem Livros Sagrados definidos e que padronizam as formas de crença, servindo como referência obrigatória e trazendo códigos de leis. São tidos como detentores de verdades absolutas.

ATEÍSMO:
Possuem textos básicos de conteúdo predominantemente filosófico, não possuindo entretanto força dogmática arbitrária ainda que sendo também revelados por sábios ou seres iluminados.

Neo PANTEÍSMO:
Seus textos são em geral filosóficos, embora possuam mais força doutrinária, não incorrendo porém em dogmas arbitrários.





MITOLOGIA

PANTEÍSMO:
Deus é o próprio mundo, tudo está interligado num equilíbrio ecossistêmico e místico. Crê-se em espíritos e geralmente em reencarnação, é comum também o culto aos antepassados. Procura-se manter a harmonia com a natureza, e o mundo comummente é tido como eterno.

POLITEÍSMO:
Diversos deuses criaram, regem e destroem o mundo. Se relacionam de forma tensa com os seres humanos, não raro hostil. As lendas dos deuses se assemelham a dramas humanos, havendo contos dos mais diversos tipos.

MONOTEÍSMO:
Um Ser transcendente criou o mundo e o ser humano, há uma relação paternal entre criador e criaturas. Na maioria dos casos um semi-deus se rebela contra o criador trazendo males sobre todos os seres. Messias são enviados para conduzir os povos, profetiza-se um evento renovador violento no final dos tempos, onde a ordem será restaurada pela divindade.

ATEÍSMO:
O Universo é uma emanação de um princípio primordial "vazio", um Não-Ser. Crê-se na possibilidade de evolução espiritual através de um trabalho íntimo, crê-se em diversos seres conscientes dos mais variados níveis, e geralmente em reencarnação.

Neo PANTEÍSMO:
Acredita-se em geral no Monismo, um substância única que permeia todo o Universo num Ser único. São em geral reencarnacionistas e evolutivas. A desatribuição de qualidades do Ser supremo por vezes as confunde com o Ateísmo.





SÍMBOLOS

PANTEÍSMO:
Utilizam no máximo totens e alguns outros fetiches, é comum o uso de vegetais, ossos, ou animais vivos ou mortos.

POLITEÍSMO:
Surgem os ídolos zoo ou antropomórficos na forma de pinturas e esculturas em larga escala. A simbologia icônica se torna complexa em alguns casos resultando em formas de escrita ideográfica.

MONOTEÍSMO:
O Deus supremo geralmente não possui representação visual, mas os secundários sim. Utilizam símbolos mais abstratos e de significados complexos.

ATEÍSMO:
O Não-Ser supremo não pode ser representado, mas há muitas retratações dos seres iluminados. Há vários símbolos representativos da natureza e metafísica do Universo.

Neo PANTEÍSMO:
Diversos símbolos e mitos de diversas outras religiões são resgatados e reinterpretados, também não há representação específica do Ser Supremo mas pode haver de outros seres elevados.





RITUAIS

PANTEÍSMO:
Geralmente ligados a natureza e ocorrendo em contato com esta. É comum o uso de infusões de ervas, danças, oráculos e cerimônias ao ar livre.

POLITEÍSMO:
Passam a surgir os templos, embora em geral não abandonem totalmente os rituais ao ar livre. Em muitos casos ocorrem os sacrifícios humanos, oráculos e as feitiçarias de controle ambiental.

MONOTEÍSMO:
Geralmente restritas ao templos, as hierarquias ritualistas são mais rígidas, não há oráculos pessoais mas sim profecias generalizadas com base no livro sagrado. Não há rituais de controle ambiental.

ATEÍSMO:
Embora ainda comuns nos templos são também frequentes fora destes. Desenvolvem-se técnicas de concentração, meditação e purificação mais específicas, baseadas antes de tudo no controle dos impulsos e emoções.

Neo PANTEÍSMO:
Em geral baseados no uso de "energias" da natureza. Não mais têm influência nos processos civis, sendo restritos a curas, proteção contra ameaças físicas e extrafísicas.





EXEMPLOS

PANTEÍSMO:
Religiões silvícolas, xamanismo, religiões célticas, druidismo, amazônicas, indígenas norte americanas, africanas e etc.

POLITEÍSMO:
Religião Grega, Egípcia, Xintoísmo, Mitologia Nórdica, Religião Azteca, Maia etc.

MONOTEÍSMO:
Bhramanismo, Zoroastrismo, Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Sikhismo.

ATEÍSMO:
Orientais: Taoísmo, Confucionismo, Budismo, Jainismo.
Ocidentais: Filosofias NeoPlantônicas, Ateísmo Filosófico (Não Religioso)
Neo PANTEÍSMO:
Espiritsmo Kardecista*, Racionalismo Cristão, Neo-Gnosticismo, Teosofia, Wicca, "Esotéricas", etc.




*Apesar do Kardecismo não se considerar Panteísta e sim antes Monoteísta.

PANTEÍSMO

As religiões primitivas são PANTEÍSTAS, acredita-se num grande "Deus-Natureza". Todos os elementos naturais são divinizados, se atribuí "inteligências" espirituais ao vento, a água, fogo, populações animais e etc.

Há uma clara noção de equilíbrio ecossistêmico, onde é comum ritos de agradecimento pelas dádivas naturais e pedidos às divindades da natureza, em alguns casos requisitando autorização mesmo para o consumo da caça que embora tenha sido obtida pelo esforço humano, seria na verdade permitida, se não ofertada, pelos entes espirituais.

A relação de dependência do ser humano com o ecossistema é clara, assim como a de parentesco e de submissão. As entidades elementais da natureza estão presentes em toda a parte, conferindo a onisciência do espírito divino. Embora haja a tendência da predominância de um presença mística feminina, a "mãe-terra", o elemento masculino também é notável a partir do momento que os seres humanos passam a compreender o papel do macho na reprodução. Ocorre então a presença de dois elementos divinos básicos, o Feminino e Masculino universal.

É um domínio de pensamento transcendente, mais compatível com a subjetividade e a síntese, não sendo então casual que este seja o tipo religioso onde as mulheres mais tenham influência. A presença de sacerdotisas, bruxas e feiticeiras é em muitos casos, muito mais significativa que a de seus equivalentes masculinos.

Todas essas religiões são ágrafas, sem escrita, com exceção é claro dos NeoPanteísmos contemporâneos. Portanto são as mais envoltas em obscuridade e mistérios, não tendo deixado nenhum registro além da tradição oral e de vestígios arqueológicos.

POLITEÍSMO

Com o tempo e o desenvolvimento as necessidades humanas passam a se tornar mais complexas. A sobrevivência assume contornos mais específicos, o crescimento populacional hipertrofiado graças a tecnologia que garante maior sucesso na preservação da prole e da longevidade, gera um série de atividades competitivas e estruturalistas nas sociedades, que se tornam cada vez mais estratificadas.

Nesse meio tempo a influência racional em franca ascensão tenta decifrar as transcendentes essências espirituais da natureza. Surge então o POLITEÍSMO, onde os elementos divinos são então personificados com qualidades cada vez mais humanas. O que era antes apenas a Água, um ser de essência espiritual metafísica e sagrada, agora passa a ser representada por uma entidade antropomórfica ou zoomórfica relacionada a água.

No princípio as características dessas divindades não são muito afetadas, mas com o tempo, a imaginação humana ou a tentativa de se adequar as religiões às estruturas sociais, elas ficam cada vez mais parecidas com os seres humanos comuns, surgindo então entre os deuses relacionamentos similares aos humanos inclusive com conflitos, ciúmes, traições, romances e etc. E cada vez mais os deuses perdem características transcendentes até que a "degeneração" chegue a ponto destes se relacionarem sexualmente com seres humanos, o que significa a perda da natureza metafísica, da característica invisível, ou mais, de haver relações físicas e pessoais de violência entre humanos e divindades, sem qualquer caráter transcendente.

Em muitos casos é difícil distinguir com clareza se determinadas religiões são Pan ou Politeístas. Mesmo no estágio Panteísta por vezes pode-se identificar com muita evidência algumas personificações das entidades divinas, mas algumas características como as citadas no parágrafo anterior são exclusivas do politeísmo. É possível que os elementos que contribuam ou realizem essa transição sejam o Animismo, Fetichismo e Totemismo.

Ocorre também uma relativa equivalência entre deidades femininas e masculinas, embora as masculinas mostrem sinais de predominância a medida que o sistema de crenças se torne mais mundano, características de uma fase mais racional e técnica onde muitas vezes a religião politeísta caminha junto com filosofias da natureza.

É sempre nesse estágio também que as sociedades desenvolvem escrita, ou pelo menos passa a utilizar símbolos abstratos e códigos visuais mais elaborados, no caso do politeísmo asiático, egípcio e europeu por exemplo, evoluiu para um sistema de escrita complexo.

Muitas destas religiões têm então, narrativas de seus mitos em forma escrita, mas tais não possuem o valor e a significância de uma Revelação propriamente dita.

Num estágio final tende a ocorrer o fenômeno da Monolatria, onde a adoração se concentra numa única divindade, o que pode ser o ponto de partida para o Monoteísmo.

MONOTEÍSMO

Chega um momento onde o Politeísmo está tão confuso, que parece forçar o "inconsciente coletivo", ou a "intuição global" a buscar uma nova forma de crença. Alguém precisa pôr ordem na casa, surge então um poderoso Deus que acaba com a confusão e se proclama como o Único soberano. Acabam-se as adorações isoladas e hierarquiza-se rigidamente as deidades, de modo a se submeter toda a autoridade do universo a um ente máximo.

O MONOTEÍSMO não é a crença em uma única divindade, mas sim a soberania absoluta de uma. A própria teologia judáico-cristã-islâmica adota hierarquias angélicas que são inclusive encarregadas de reger elementos específicos da natureza.

Um elemento que caracteriza mais claramente o MONOTEÍSMO mais específico, Zoroastrista, Judáico, Cristão, Islâmico e Sikh, é antes de tudo a ausência ou escassez de representações icônicas do Deus supremo, e sua desatribuição parcial de qualidades humanas, nem sempre bem sucedida. Já as entidades secundárias são comumente retratadas artisticamente.

A própria mitologia grega através da Monolatria, já estaria a dar sinais de se dirigir a um monoteísmo similar ao que chegou a religião Hindu, ou a egípcia com a instituição do deus único Akhenaton, embora ainda impregnadas fortemente de Politeísmo a até de reminiscências Panteístas no caso do Bhramanismo. Zeus assomava-se cada vez mais como o regente absoluto do universo. Entretanto um certo obstáculo teológico impedia que tal mitologia atingisse um estágio sequer semi-Monoteísta. Zeus é filho de Chronos, neto de Urano, essa descendência evidencia sua natureza subordinada ao tempo, ele não é eterno ou sequer o princípio em si próprio, que é uma característica obrigatória de um Deus Uno e absoluto como Bhraman ou Jeová.

Um fator complicador é que todas essas religiões apesar de seu princípio Uno, são também Dualistas, pois contrapõem um deus do Bem contra um do Mal. Entretanto não se presta "Sob Hipótese Alguma!", qualquer culto ao deus maligno, como ocorre nas Politeístas. Saber se o deus maligno está ou não sujeito afinal ao deus supremo é uma discussão que vem rendendo há mais de 3.000 anos.

Diferente do estado Panteísta original não ocorre harmonia entre os opostos, e um deles passa a ser privilegiado em detrimento do outro. Sendo assim onde antes ocorria a divinização dos aspectos Masculinos e Femininos do Universo, e a sacralidade da união, aqui ocorre a associação de um com o maligno, fatalmente do elemento Feminino uma vez que todas as religiões monoteístas surgiram na fase patriarcal da humanidade.

O Bhramanismo sendo o mais antigo, ainda conserva qualidades tais como veneração a manifestações femininas da divindade, não condena a relação sexual e ainda detém a crença reencarnacionista que é uma quase constante no Panteísmo. Do Politeísmo guarda toda um miríade de deuses personificados, com estórias bastante humanas que envolvem conflitos e paixões. Mas a subordinação a um Uno supremo, no caso representado pela trindade Bhrama-Vinshu-Shiva, é clara. O panteão anterior Hindu foi completamente absorvido pelo monoteísmo Bhraman, e conservou até mesmo a deusa Aditi, que outrora fora a divindade suprema.

Já os monoteísmos posteriores, mais afastados do fenômeno panteísta, entram em choque mais evidente com o Politeísmo que geralmente está em estado caótico. Ocorre um abafamento da religião anterior pela nova e seu caráter patriarcal e associado a violência, especialmente a partir do Judaísmo, se impõe de forma opressiva. As divindades femininas são erradicadas ou demonizadas, sendo então obrigatoriamente associadas ao elemento maligno do universo. Esse fenômeno acompanha a queda da condição social feminina na sociedade.

Embora as teologias monoteístas, especialmente na atualidade, se esforcem para afirmar o contrário, o deus único Hebreu, Cristão e Islâmico, basicamente o mesmo, assim como o do anterior Zoroastrismo e posterior Sikhismo, são nitidamente masculinos, aparentemente renegando o aspecto feminino divino do universo, mas na verdade o absorvendo, uma vez que ao contrário de deuses "supremos" Politeístas como Zeus, Osíris e Odin, eles são carregados de atribuições de amor e compaixão, embora ainda conservem sua Ira divina e seus atributos violentos, o que resulta em entidades complexas, que possuem aspectos paternos e maternos simultâneamente.

Tal como a própria emocionalidade, esse é o período mais contraditório da evolução do pensamento Teológico. Apesar de estar sob o domínio de uma característica de predominância subjetiva, é o momento onde as sociedades se mostraram paradoxalmente mais androcráticas. Os elementos femininos são absorvidos pelo Deus Único dando a ele o poder de atrair e seduzir as massas pela sua bondade, mostrando sua face benevolente, mas por outro lado a espada da masculinidade está sempre pronta a desferir o golpe fatal em quem se opuser a sua soberania.

Tal união, confere aos deuses monoteístas um poder supremo inigualável, e tal contradição, tal desarmonia intrínseca, resultou não por acaso no período religiosamente mais violento da história. As religiões monoteístas, especialmente o trio Judaísmo-Cristianismo-Islamismo, são as mais intolerantes e sanguinárias da história.

ATEÍSMO

As religiões aqui caracterizadas como Ateístas negam simplesmente a existência de um Ser Supremo central, que tudo tenha criado e a tudo controle, e talvez seja nesse grupo que se sinta mais radicalmente a ruptura entre Ocidente e Oriente, mas basicamente o Ateísmo religioso tende a funcionar da seguinte forma.

Se o Monoteísmo tenta acabar com o "pandemonium" Politeísta e estabelecer uma nova ordem por algum tempo, acaba por também se mundanizar. As autoridades religiosas interferindo fortemente na política e na estruturação social, enfraquecem como símbolos transcendentes. A inflexibilidade fundamentalista do sistema se revela injustificável ante a problemática social e as conquistas e descobertas filosóficas e científicas e num dado momento o sentimento de descrença é tal que deixa-se de acreditar num deus. Surge o ATEÍSMO.

Esse é o ponto crucial, a razão pela qual de fato não acredito que existam Ateus no sentido mais profundo do termo, no máximo "agnósticos".

Geralmente o ateu não é aquele que desacredita do "invisível", de qualquer forma de Téos, mas sim o que descrê dos deuses personificados e corrompidos. Afinal até o mais materialista e cético dos cientistas trabalha com forças invisíveis! Fenômenos da natureza ainda inexplicáveis.

Gravitação Universal, Lei de Entropia, Mecânica Quântica e etc. não podem ser vistas! Apenas seus efeitos. Tal como sempre se alegou com relação aos deuses.

No que se refere a uma visão do Princípio, não creio fazer diferença acreditar que um corpo é atraído para o centro da Terra por uma força invisível da natureza ou pela vontade de um deus também invisível. Há apenas uma maior compreensão racional do fenômeno, com maiores resultado práticos, mas de um modo ou de outro, a explicação possui um certo caráter de fé, tão racionalmente satisfatório para o cientista quanto para o religioso, capaz de explicar com clareza o funcionamento do mundo e mesmo quando isso não ocorre, admiti-se como mistérios divinos, ou causas científicas ainda desconhecidas.

No caso do Oriente, o Ateísmo religioso surge principalmente na Índia, sob a forma do Budismo e do Jainísmo, e na China, sob o Taoísmo e o Confucionismo. Todas essas religiões possuem textos base com certo grau de respeitabilidade mística ou filosófica, mas o grau de liberdade com que se pode reinterpretar ou mesmo discordar destes textos é incomparável em relação aos livros sagrados Monoteístas.

E nesse nível que muitas posturas passam a ser desconsideradas como religiões, sendo tidas em geral como filosofias. No Ocidente, tal movimento ocorreu também na Grécia Antiga, através de Filósofos da Natureza que estabeleciam como princípio primário universal alguma "substância" completamente impessoal. Mais especificamente, Aristóteles colocava o MOTOR IMÓVEL como o princípio primário, e PLOTINO, estabelecia o UNO. Porém essa breve ascensão do Ateísmo filosófico e científico ocidental foi logo minada pelo sucesso do Monoteísmo cristão.

O Ateísmo no Ocidente só surgiu novamente após a renascença, no Iluminismo, onde outras formas filosóficas se desenvolveram, mas a mistura destas com os Neo Panteísmos e o avanço científico em geral resulta num quadro difícil de se diferenciar.

Mas o ponto mais complexo na verdade, e que Ateísmo e Panteísmo se confundem.

Religiões ATEÍSTAS e NEO-PANTEÍSTAS

As religiões Ateístas não crêem numa entidade suprema central, mas pregam a interdependência harmônica do Universo, da mesma forma que o Panteísmo.

Pregam a harmonia dos opostos como Yin e Yang, da mesma forma que a harmonia entre a Deusa e o Deus no Panteísmo, e constantemente adotam um posição de neutralidade em relação aos eventos.

Provavelmente não por acaso TAOÍSMO e BUDISMO são as mais avançadas das grandes religiões num sentido metafísico, racional e mesmo científico. São imunes a contestação racional pois seus conceitos trabalham num plano mais abstrato mas ao mesmo tempo capaz de explicar a realidade, e fartos de paradoxos escapistas, sendo extremamente mais flexíveis que as religiões monoteístas por exemplo. Não há casos significativos de atrocidades cometidas em nome destas religiões em larga escala como as monoteístas ou nas politeístas monolátricas.

Porém, barreiras intransponíveis impedem que essas religiões sejam nesse esquema de divisão, classificadas como Panteístas. TAOÍSMO e CONFUCIONISMO que são chinesas equanto o BUDISMO e o JAINISMO Indianos, são religiões letradas. Possuem seus escritos fundamentais como os Sutras Budistas, o Tao Te-King Taoísta e os Anacletos Confucianos e os textos dos Tirthankaras Jainistas. Todas possuem seus mentores, Buda, Lao-Tsé, Confúcio e Mahavira. E todas são muito desenvolvidas filosoficamente, por vezes sendo consideradas não religiões, mas filosofia. Todas essas características inexistem no Panteísmo primitivo.

Portanto isso me leva a classificá-las como RELIGIÕES ATEÍSTAS, por declararem a inexistência de um Ser Supremo. Pelo contrário, o TAO ou o NIRVANA, o centro de todo o Universo segundo o Taoísmo e Confucionismo, e o Budismo, são uma espécie de Vazio, um Não-Ser.

Já o Neo-Panteísmo possui sim seus textos. É o caso do Espiritismo Kardecista, do Bahaísmo, do Racionalismo Cristão e etc. Embora muitos insistam em negar-se como Panteístas se inclinando para o Monoteísmo, porém uma série de fatores a distanciam muito deste grupo. Tais como:

A ênfase atenuada dada ao livro base da doutrina, que embora seja uma revelação, não tem o mesmo peso dogmático e em geral se apresenta de forma predominantemente racional. A postura passiva e não proselitista, e muito menos violenta, do Monoteísmo tradicional. A caraterização de seu fundador que mesmo sendo dotado de dons supra-naturais, não reivindica deificação e nem mesmo reverência especial. E o mais importante, diferenciando-as principalmente do Monoteísmo "Ocidental", o tratamento totalmente diferenciado dado a questão da existência do "Mal". Esses são alguns exemplos que tendem a afastar essas novas religiões, que prefiro agrupar na categoria Neo-Panteísmo, do grupo das Monoteístas.



PANTEÍSMO
=>
Deus é Tudo
POLITEÍSMO
=>
Deus é Plural
MONOTEÍSMO
=>
Deus é Um
ATEÍSMO
=>
Deus é Nada




Evidentemente, afirmar que DEUS é TUDO é muito similar a afirmar que é NADA. O ZERO é tão imensurável e incalculável quanto o INFINITO. Eles não podem ser medidos ou divididos, assim como não se divide por eles.

Vale lembrar que não se pode também rotular tal ou qual religião como meramente Pan, Poli ou Monoteísta. Muitas passaram pelas várias fases nem sempre de maneira perceptível e consensual. O próprio Budismo tem várias escolas bastante diferentes entre si, e mesmo o Cristianismo tem suas variantes com direito a reencarnação e sexo tântrico, e cujas atribuições de Deus o afastam das características monoteístas. Mas o processo macro, inconsciente, me parece ser esse! O de fases "psicohistóricas" que vão na forma:

?-PANTEÍSMO-POLITEÍSMO-MONOTEÍSMO-ATEÍSMO-?PANTEÍSMO

Outro ponto importante é que jamais uma dessas formas religiosas deixou de existir totalmente, principalmente na atualidade onde a intolerância religiosa não é mais "tolerada" na maior parte do mundo. Esses tipos de religiões se misturam e se confundem, o que explica porque qualquer tentativa de se classificar as religiões é tão complexa.

Até mesmo essa divisão esquemática apresenta problemas, como a notável diferença entre o Monoteísmo "Ocidental", Judaísmo-Cristianismo-Islamismo, fortemente interligadas, o Monoteísmo Oriental, Hindu, Bhramanismo e Sikhismo, e o sempre complexo Zoroastrismo, de características fortemente Maniqueistas, o que viria por vezes a suscintar a questão de se o Maniqueísmo, que tem forte influência sobre o Gnosticismo e o Catolicismo, poderia ser considerado Monoteísta.


SÍMBOLOS




O mantra sagrado "OM" ou "AUM" Hindu. Representa o "Som" primordial.

A Roda do DHARMA budista, ou "Roda da Vida".


O Tei-Gi do Taoísmo. Simbolizando a interdependência dos princípios universais Yin e Yang.

A estrela de Davi. Um dos símbolos do Judaísmo e do estado de Israel.


A cruz do Cristianismo. Encruzilhada entre o material e o espiritual.

A Lua e Estrela Muçulmana, oriunda de um dos mais antigos estados a adotar o Islã.


Nenhuma religião em especial mas algumas igrejas protestantes costumam usar um livro como símbolo.




Participe da DÊ SUA OPINIÃO

PSICOGÊNESE DA RELIGIÃO

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Bahia será pioneira em identificação criminal pelo DNA

Bahia será pioneira em identificação criminal pelo DNA

Da Redação, com informações da AGECOM


Abertura da Conferência da FBI National Academy Associates na América Latina e Caribe
A Bahia será o primeiro estado brasileiro a implantar um banco de dados de perfis genéticos, que vai ajudar na identificação de criminosos pelo DNA, a partir de um convênio assinado pelas Polícias Federais do Brasil e dos Estados Unidos da América - FBI (Federal Bureau of Investigation), nesta segunda-feira (18), em Praia do Forte, Litoral Norte da Bahia. O convênio foi assinado na abertura da FBI NAA Latin American-Caribbean Chapter Conference, a Conferência Anual promovida pela academia do FBI.
“É uma inovação que vai ajudar e muito nas investigações da polícia, principalmente em relação ao combate ao tráfico de drogas, que representa cerca de 80% dos crimes no nosso estado”, afirmou o governador Jaques Wagner. Segundo o diretor-geral do Departamento de Polícia Federal (DPF), Luis Fernando Corrêa, os profissionais serão capacitados para usar o novo sistema, que será implantando para facilitar o trabalho da polícia técnica em todo o país.

De acordo com o secretário de Segurança Pública da Bahia, César Nunes, a excelência do laboratório de DNA do Departamento de Polícia Técnica (DPT) está tornando o estado pioneiro na implantação do banco de dados. “O laboratório do DPT, em razão do trabalho dos técnicos, conseguiu três certificados internacionais”, revelou o secretário. O DPT baiano está equipado para fazer exames de DNA mitocondrial – a partir de pequenas partículas, como células de fios de cabelo.

O vice-presidente da Associação Nacional de Peritos Criminais Federais, Hélio Buchmuller, adiantou que cada estado terá seu próprio banco de dados com informações genéticas, que ficarão submetidas ao banco de dados nacional, sediado no Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. Nos EUA, esse sistema é utilizado há mais de dez anos e já realizou cerca de 80 investigações. Hoje, o Codis faz parte das ações de investigação de 28 países, entre eles Alemanha, Canadá, Chile, Espanha, França, Itália, Suécia e Suíça.

Troca de experiências no combate ao crime

Os representantes do DPF e do FBI estão reunidos em Praia do Forte desta segunda (18) até a próxima sexta-feira (22), com o objetivo de promover a troca de experiências no combate ao crime. O encontro reúne mais de 200 autoridades da área de Segurança Pública, como secretários de Estado e superintendentes da PF. “Esse evento mostra o comprometimento da PF em busca da integração entre as polícias e a difusão do conhecimento, pois ninguém consegue vencer o crime isoladamente”, declarou o diretor-geral da Polícia Federal.

Para o diretor executivo do FBI, Louis Grever, a troca de experiências e conhecimento entre as polícias internacionais é a melhor estratégia para o combate à criminalidade. “Nós temos os mesmos desafios, temos muito aprender com as polícias de outros países como o Brasil e essa troca de conhecimentos é essencial para desenvolver nosso trabalho”, garantiu.

domingo, 17 de maio de 2009

Reforma Política e Inviável - Por Villas Boas Corrêa

A audaciosa e temerária iniciativa da Mesa Diretora do Senado de solicitar à competência da Fundação Getúlio Vargas (FGV) um projeto de reestruturação administrativa – e é urgente que seja secundada pela Câmara – produziu um resultado acima das mais pessimistas expectativas, que oscila entre o estimulante reconhecimento da necessidade de tentar colocar um mínimo de ordem e funcionalidade na mixórdia do desperdício do dinheiro público e dos desvios éticos que invadem o ilícito penal.

É natural que, ao longo do tempo, a burocracia imponha os seus cacoetes da multiplicação do pessoal e dos generosos reajustes de vencimentos. Mas o que se sabia, sem a escora da estatística, estava muito aquém do que o coordenador da FGV, Bianor Cavalcanti, revela com a simplicidade dos números. Para princípio de conversa, o resumo da ópera: o Senado pode funcionar perfeitamente com um terço dos seus funcionários. Trocando em miúdos: com 3.364 servidores de carreira e o reforço da terceirização de alguns serviços.

E é mesmo apenas a introdução a uma conversa que promete a colheita de milhões de economia para os cofres da Viúva. Na segunda etapa, promete Bianor Cavalcanti, a FGV está em condições de bulir na casa de marimbondo do enxugamento dos 3.350 terceirizados e dos comissionados distribuídos nos gabinetes. E o que não falta, sobra até, nas duas Casas do Congresso são gabinetes. Além dos 81 senadores e 513 deputados, dos diretores que se multiplicam como coelhos. Mas o Bianor alterna as pancadas para não assustar os aflitos. Na sua fria visão de técnico, o excesso de servidores, de cargos de direção e de unidades “gera mais confusão do que outra coisa”. Aqui, uma parada para desmanchar o nó de um dos equívocos: quem disse ao tecnocrata Bianor que a maioria absoluta dos parlamentares não prefere exatamente a confusão a uma enxuta e eficiente equipe?

Do razoável número dos que se esforçam para acompanhar os trabalhos das comissões que integram e do plenário das duas Casas, nos três ou quatro dias úteis da inútil semana parlamentar, muitos, a maioria não tem a menor necessidade de entupir os seus privilegiados gabinetes com assessores com as cotas de tarefas. Ao contrário, a orgia dos até 50 assessores para cada gabinete faz a felicidade de parentes, cabos eleitorais, cupinchas ou de recomendados por amigos. Conheci num município mineiro três assessores de um deputado federal, já falecido, que nunca tinham posto os pés em Brasília. Atendiam na base eleitoral do parlamentar os potenciais eleitores e, claro, desfrutavam a vida mansa no sossego do interior. E era um tempo em que a farra das mordomias apenas começava.

Voltando ao bem-vindo Bianor e a sua severidade de técnico. O quadro de caos do levantamento da FGV é da responsabilidade direta do grande número de cargos de direção, regiamente remunerados, subdivididos em secretarias e subsecretarias e com uma redução que só agilizaria o serviço, representaria uma economia de R$ 650 mil por mês num orçamento anual de R$ 2 bilhões.

O presidente Lula teria muito que aprender com eficiência e enxugamento do monstrengo administrativo a partir das lições da Fundação Getúlio Vargas. A urgência inadiável de recursos que ainda não podem ser dimensionados para socorro imediato dos milhões de desabrigados com as enchentes do Norte e do Nordeste e a sucessão de enchentes e seca no Sul, especialmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, seria simplificada e com menor desgaste, com redução da gastança e do desperdiço com o corte de milhares de sinecuras rateadas entre o PT e aliados, como o incontentável PMDB, do que com a novidade da criação da cobrança do Imposto de Renda das cadernetas de poupança sobre os depósitos acima de R$ 50 mil a partir de 2010, ano de campanha e de eleições.

Bom humor não falta ao presidente nas suas visitas de compulsivo viajante pelos quatro cantos do mundo. E não é tão lisonjeira a sua avaliação sobre a burocracia. Em visita ao Itamaraty, com o enguiço do elevador, preferiu caminhar até o salão. E explicou: “Vamos andando porque antes do conserto do elevador a CGU fará uma avaliação, depois tem a licitação do TCU, a licença do Ibama, e depois vamos ter uma denúncia no Ministério Público”. A caricatura além de bem humorada é perfeita.
E quem poderia iniciar um mutirão para reduzir a burocracia? Mas, claro: o presidente da República.

sábado, 16 de maio de 2009

A Reforma do Ensino Médio

SÃO PAULO - Em meio às recentes discussões para substituir os vestibulares das universidades federais por um modelo unificado, o Ministério da Educação (MEC) apresentou o projeto "Ensino Médio Inovador" - propondo uma reforma no ensino médio público do País. O programa que foi entregue no dia 4 de maio ao Conselho Nacional de Educação (CNE) tem aprovação prevista para o início de junho. Em entrevista ao Último Segundo, especialistas avaliam a maneira como esse projeto será concretizado e sua eficácia para transformar o ensino público.

Mais da metade das federais aderem ao novo Enem ainda em 2009
Ninguém vai ter que decorar fórmulas, diz ministro sobre Enem
Ministério da Educação libera matriz de habilidades do novo Enem
MEC aceita proposta que torna Enem obrigatório na rede pública


O relator do processo no conselho, Francisco Aparecido Cordão, afirma que dará parecer favorável para o projeto com algumas sugestões de reajustes. Para ele, a proposta do MEC de reestruturar primeiramente as escolas que tiveram o pior índice no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008 precisa ser revista.

"As piores escolas precisam de ajuda. Mas, para executar um papel de estímulo, também investiria nas que obtiveram os melhores resultados", explica Cordão, dizendo que a grande meta do MEC é equiparar o Brasil aos países desenvolvidos. "Precisamos chegar ao nível da Finlândia. As nossas melhores escolas ainda estão longe do nível mundial", afirma.

Para Nilson José Machado, professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), até o momento, o plano de ação da proposta é improcedente. Como o ensino médio é responsabilidade das redes estaduais de ensino, e não do MEC, ele defende que é necessário pensar melhor nas condições e no acompanhamento de cada escola.

Para ele, essa preocupação com as escolas piores é demagógica demais. “Precisamos prestar atenção nas que funcionam bem para contaminar as outras. Assim, valorizamos o que temos de bom nas salas de aula". Machado acredita que, com esse formato, a proposta é “improcedente” e parece "condenada para não sair do lugar".

O professor acredita que a classificação das melhores escolas avaliadas pelo Enem dificulta o trabalho do ministério. Para Machado, a situação do ensino não é a mesma em todas as escolas avaliadas. "Não dá para confiar nesse ranking do Enem. Pois, por uma pequena diferença na nota, várias escolas caem de ‘média’ para ‘pior’".

A solução, segundo Machado, para se conseguir um maior diálogo com as escolas é abrir canais de comunicação com ministério e com as Secretarias de Educação. Assim, as escolas poderiam ser atendidas pessoalmente, e não por meio de uma tabela que as classifica. "O ministério precisa entender que cada escola tem uma deficiência, elas não são igualmente ruins", explica.

Aproximação do Enem

Uma das principais propostas do projeto é reestruturar o currículo do ensino médio. Para isso, o MEC propõe distribuir o conteúdo das 12 matérias (presentes no currículo atual) em quatro grupos de conhecimento: "línguas", "matemática", "humanas" e "exatas e biológicas" - aproximando o aluno do novo molde do Enem, com conteúdos que priorizam a intertextualidade.

O relator do CNE acredita que, com essa mudança, o ministério aponta para a direção certa. Segundo Cordão, as escolas precisam trabalhar a maneira como o conteúdo é transmitido para o aluno. "A escola é vista pelo estudante como chata e desinteressante. Um dos objetivos centrais do ensino médio é criar condições para que os indivíduos continuem os estudos nos ensinos superiores".

Partindo desse conceito, Cordão acredita que o ensino médio poderá deixar a condição escola-auditório e se transformar em uma escola-laboratório. "Precisamos de um ensino que desafie o aluno a aprender. Nesses moldes, a escola está no século passado. Precisamos trazê-la para o século 21, para acompanhar os jovens de hoje".

Já para o professor Machado, a ideia de "acabar com as disciplinas que já conhecemos" é uma visão interessante, com mais conteúdo. Porém, ele diz que nada mudará se o MEC tiver apenas o novo Enem como base e não melhorar as condições de trabalho do professor. "Se nada for feito para mudar a realidade docente, o professor continuará ensinando do mesmo jeito. Não se pode esperar que, de um dia para o outro, os professores mudem magicamente a sua prática na sala de aula".

Números do MEC

Segundo dados do MEC, o Brasil ampliou a oferta do ensino médio de forma expressiva. Porém, ainda 1,8 milhões de jovens de 15 a 17 anos permanecem fora da escola. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2006 aponta que dos 10.471.763 brasileiros de 15 a 17 anos, mais de 50% dos jovens não estão matriculados no ensino médio.

O acesso ao ensino médio ainda é considerado profundamente desigual entre classes sociais. Dos 20% mais pobres da população, entre jovens de 15 a 17 anos, apenas 24,9% estão matriculados. Já entre 20% da camada mais rica da população, temos 76,3% de jovens estudando.

Quanto à evasão escolar, o MEC afirma que dos jovens que abandonaram a escola 61,6% o fizeram uma vez e 16,7% três vezes. Entre os jovens homens, a principal motivação para a interrupção dos estudos é a oportunidade de emprego (42,2%). Entre as mulheres, a maior causa é a gravidez, com 21,1%.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Minerva Maçônica Ago/ Set/ Out 2000



“A História da nossa independência está intimamente ligada com a Fundação do Grande Oriente do Brasil, Obediência Mater da Maçonaria Brasileira.”

*Fuad Haddad

Apesar do farto material documental existente, pouco se publica sobre o papel importante, decisivo e histórico que a Maçonaria, como Instituição, teve nos fatos que precipitaram a Proclamação da Independência.

Deixar de divulgá-los, é ocultar a verdade e conseqüentemente ocorrer no erro da omissão, que nem a História e nem o tempo perdoam, principalmente para com aqueles nossos irmãos, brava gente brasileira, que acreditavam, ou ainda mais, tinha como ideário de vida a Independência da Pátria tão amada.

O objetivo principal, sem dúvida nenhuma, da criação do Grande Oriente foi engajar a Maçonaria na luta pela independência política do Brasil.

Desde sua descoberta em 1500, o Brasil foi uma colônia Portuguesa, sendo explorada desde então pela sua metrópole , não tinha, portanto, liberdade econômica, liberdade administrativa, e muito menos liberdade política.

Como a exploração metropolitana era excessiva e os colonos não tinham o direito de protestar, cresceu e descontentamento dos brasileiros. Iniciam-se então as rebeliões conhecidas pelo nome de Movimentos Nativistas, quando ainda não se cogitava na separação entre Portugal e Brasil. Estampava-se em nosso País o ideal da liberdade. A primeira delas foi a Revolta de Beckman em 1684, no Maranhão.

No início do século XVIII, com o desenvolvimento econômico e intelectual da colônia, alguns grupos pensaram na independência política do Brasil, de forma que os brasileiros pudessem decidir sobre seu próprio destino. Ocorreram, então, a Inconfidência Mineira (1789) que marcou a história pela têmpera de seus seguidores; depois a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817), todas elas duramente reprimidas pelas autoridades portuguesas. Em todos estes movimentos a Maçonaria se fez presente através das Lojas Maçônicas e Sociedades Secretas já existentes, de caráter maçônico tais como: Cavaleiros das Luz na Bahia e Areópago de Itambé na divisa da Paraíba e Pernambuco, bem como pelas ações individuais ou de grupos de maçons.

Nos dias atuais, os grandes vultos e os fatos marcantes da nossa história estão, na maioria das pessoas, adormecidos. O sentimento cívico esta distante e muitas vezes apagado em nossas mentes. Fatos e acontecimentos importantes marcaram o início da emancipação política da nossa nação. Retomemos os tempos idos e a alguns referenciais da nossa rica história.

- Início do século XIX – ano de 1808 – D. João e toda família real, refugia-se no Brasil em decorrência da invasão e dominação de Portugal por tropas francesas, encetadas pelo jugo napoleônico.

Este fato trouxe um notável progresso para a colônia, pois esta passou a ter uma organização administrativa idêntica à de um Estado independente. D. João assina o decreto da Abertura dos Portos, que extinguia o monopólio português sobre o comércio brasileiro. O Brasil começa a adquirir condições para ter uma vida política independente de Portugal, porém sob o aspecto econômico, passa a ser cada vez mais controlado pelo capitalismo inglês.



*- Ano de 1810 – Ocorre a expulsão dos franceses pôr tropas inglesas, que passam a governar Portugal com o consentimento de D. João.



- Ano de 1815 – D. João, adotando medidas progressistas, Põe fim na situação colonial do Brasil, criando o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, irritando sobremaneira os portugueses.

- Ano de 1820 – Cansados da dominação e da decadência econômica do país, os portugueses iniciam uma revolução na cidade do Porto culminando com a expulsão dos ingleses. Estabelecem um governo temporário, adotam um constituição provisória e impõem sérias exigências a . João (agora já com o título de rei e o nome de D. João VI), ou seja:

- Aceitação da constituinte elaborada pelas cortes,

- nomeação para o ministério e cargos públicos,

- sua volta imediata para Portugal.

Com receio de perder o trono e sem outra alternativa, face as exigências da Corte (Parlamento português), D.João VI regressa a Lisboa (Portugal) em 26 de abril de 1821, deixando como Príncipe Herdeiro, nomeado Regente do Brasil pelo Decreto de 22 de abril de 1821, o primogênito com então 21 anos de idade – PEDRO DE ALCANTARA FRANCISCO ANTÔNIO JOÃO CARLOS XAVIER DE PAULA MIGUEL RAFAEL JOAQUIM JOSÉ GONZAGA PASCOAL CIPRIANO SERAFIM DE BRAGANÇA E BURBON. O Príncipe Dom Pedro, jovem e voluntarioso, aqui permanece, não sozinho pois logo viu-se envolvido por todos os lados de homens de bem, Maçons, que constituíam a elite pensante e econômica da época.

Apesar de ver ser aceitas suas reivindicações, os revolucionários portugueses não estavam satisfeitos. As cortes de Portugal estavam preocupadas comas perdas das riquezas naturais do Brasil e previam sua emancipação, como ocorria em outros países sul-americanos. Dois decretos em 1821 de números 124 e 125 emanados das Cortes Gerais portuguesas, são editados na tentativa de submeter e inibir os movimentos no Brasil. Um reduzia o Brasil da posição de Reino Unido à antiga condição de colônia, com a dissolução da união brasílico-lusa, o que seria um retrocesso, o outro, considerando a permanência de D. Pedro desnecessária em nossa terra, decretava a sua volta imediata.

Os brasileiros reagiram contra os decretos através de um forte discurso do Maçom Cipriano José Barata, denunciando a trama contra o Brasil. O Maçom, José Joaquim da Rocha, funda em sua própria casa o Clube da Resistência, depois transformado no Clube da Independência. Verdadeiras reuniões maçônicas ocorrem na casa de Rocha ou na cela de Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, Frei Sampaio, no convento de Santo Antônio, evitando a vigilância da polícia. Várias providências foram tomadas, dentre elas: consultar D. Pedro; convidar o Irmão, Maçom, José Clemente Pereira, Presidente do Senado a aderir ao movimento e enviar emissários aos maçons de São Paulo e Minas Gerais. Surge o jornal, “Revérbero Constitucional Fluminense”, redigido por Gonçalves Ledo e pelo Cônego Januário, que circulou de 11 de setembro de 1821 a 08 de Outubro de 1822, e que teve a mais extraordinária influência no movimento libertador, pois contribuiu para a formação de uma consciência brasileira, despertando a alma da nacionalidade.

Posteriormente a 29 de julho de 1822 passa a ser editado o jornal – “Regulador Brasílico-Luso”, depois denominado, “Regulador Brasileiro”, redigido pelo Frei Sampaio, que marcou também sua presença e atuação no movimento emancipador brasileiro.

Na representação dos paulistas, de 24 de dezembro de 1821, redigida pelo Maçom José Bonifácio de Andrada e Silva, pode-se ler o seguinte registro:

“É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de ser homens, possam consentir em tais absurdos e despotismo... V.Alteza Real deve ficar no Brasil, quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes, não só para o nosso bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo. Se V. Alteza Real estiver (o que não é crível) deslumbrado pelo indecoroso decreto de 29 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno grupo de desorganizadores, terá que responder, perante o céu, pelo rio de sangue que, decerto, vai correr pelo Brasil com a sua ausência...”.

- 09 de janeiro de 1822 – Na sala do trono e interpretando o pensamento geral, cristalizando nos manifestos dos fluminenses e dos paulistas e no trabalho de aliciamento dos mineiros, o Maçom José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara, antes de ler a representação, pronunciou inflamado e contundente discurso pedindo para que o Príncipe Regente Permanecesse no Brasil. Após ouvir atentamente, o Príncipe responde: “estou pronto, diga ao povo que fico”.

A alusão às hostes maçônicas era explícita e D. Pedro conheceu-lhe a força e a influência, entendendo o recado e permanecendo no Brasil. Este episódio, conhecido como o Dia do Fico, marcou a primeira adesão pública de D. Pedro a uma causa brasileira.

- Em 13 de maio de 1822 – os Maçons fluminenses, sob a liderança de Joaquim Gonçalves Ledo, e por proposta do brigadeiro Domingos Alves Munis Barreto, resolviam outorgar ao Príncipe Regente o título de Defensor Perpétuo do Brasil, oferecido pela Maçonaria e pelo Senado.

- Ainda em maio de 1822 – aconselhado pelo então seu primeiro ministro das pastas do Reino e de Estrangeiros, o Maçom, José Bonifácio de Andrada e Silva, D. Pedro assina o Decreto do Cumpra-se, segundo o que só vigorariam no Brasil as Leis das Cortes portuguesas que recebessem o cumpra-se do príncipe regente.

- Em 02 de junho de 1822 – em audiência com D. Pedro, o Irmão José Clemente Pereira leu o discurso redigido pelos Maçons Joaquim Gonçalves Ledo e Januário Barbosa, que explanavam da necessidade de uma Constituinte. D. Pedro comunica a D. João VI que o Brasil deveria ter suas Cortes. Desta forma, convoca a Assembléia Constituinte para elaborar uma Constituição mais adequada ao Brasil. Era outro passo importante em direção à independência.

*- Em 17 de junho de 1822 – a Loja Maçônica, “Comércio e Artes na Idade do Ouro” em sessão memorável, resolve criar mais duas Lojas pelo desdobramento de seu quadro de Obreiros, através de sorteio, surgindo assim as Lojas “Esperança de Niterói” e “União e Tranqüilidade”, se constituindo nas três Lojas Metropolitanas e possibilitando a criação do “Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano”, que depois viria a ser denominado de “Grande Oriente do Brasil”.

José Bonifácio de Andrada e Silva (O Patriarca da Independência) é eleito primeiro Grão-Mestre, tendo Joaquim Gonçalves Ledo como 1º Vigilante e o Padre Januário da Cunha Barbosa como Grande Orador. O Objetivo principal da criação do GOB foi de engajar a Maçonaria como Instituição, na luta pela independência política do Brasil, conforme consta de forma explícita das primeiras atas das primeiras reuniões, onde só se admitia para iniciação e filiação em suas Lojas, pessoas que se comprometessem com o ideal da independência do Brasil.

- No dia 02 de agosto – por proposta de José Bonifácio, é iniciado o Príncipe Regente, D. Pedro, adotando o nome histórico de Guatimozim ultimo imperador Asteca morto em 1522), e passa a fazer parte do Quadro de Obreiros da Loja Comércio e Artes.

- No dia 05 de agosto – por proposta de Joaquim Gonçalves Ledo, que ocupava a presidência dos trabalhos, foi aprovada a exaltação ao grau de Mestre Maçom que possibilitou, posteriormente, em 04 de outubro de 1822, numa jogada política de Ledo, o Imperador ser eleito e empossado no cargo de Grão-Mestre, do GOB.

Porém, foi no mês de agosto de 1822 que o Príncipe, agora Maçom, tomou a medida mais dura em relação a Portugal, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil sem o seu consentimento.

Em 14 de agosto parte em viagem, com o propósito de apaziguar os descontentes em São Paulo, acompanhado de seu confidente Padre Belchior Pinheiro de Oliveira e de uma pequena comitiva. Faz a viagem pausadamente, percorrendo em 10 dias, 96 léguas entre Rio e São Paulo. Em Lorena, a 19 de agosto, expede o decreto dissolvendo o governo provisório de São Paulo. No dia 25 de agosto chega a São Paulo sob salva de artilharia, repiques de sino, girândolas e foguetes, se hospedando no Colégio dos Jesuítas. De São Paulo se dirige para Santos em 5 de setembro de 1822, de onde regressou na madrugada de 7 de setembro. Encontrava-se na colina do Ipiranga, às margens de um riacho, quando foi surpreendido pelo Major Antônio Gomes Cordeiro e pelo ajudante Paulo Bregaro, correios da corte, que lhes traziam noticias enviadas com urgência pelo seu primeiro ministro José Bonifácio.

D. Pedro, após tomar conhecimento dos conteúdos das cartas e das noticias trazidas pelos emissários, pronunciou as seguintes palavras: “As Côrtes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal”.

A independência do Brasil foi realizada à sombra da acácia, cuja as raízes prepararam o terreno para isto. A Maçonaria teve a maior parte das responsabilidades nos acontecimentos literários. Não há como negar o papel preponderante desta instituição maçônica na emancipação política do Brasil.

Desde 1815 com a fundação da Loja Maçônica Comércio e Arte, que daria origem as Lojas União e Tranqüilidade e Esperança de Niterói e a posterior constituição do Grande Oriente do Brasil em 17 de Junho de 1822, o ideário de independência se fazia presente entre seus membros e contagiava os brasileiros.

À frente do movimento, enérgica e vivaz, achavam-se a Maçonaria e os Maçons. Entre seus principais Obreiros, pedreiros livres, de primeira hora podemos destacar: Joaquim Gonçalves Ledo, José Bonifácio da Andrada e Silva, José Clemente Pereira, Cônego Januário da Cunha Barbosa, José Joaquim da Rocha, Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, Felisberto Caldeira Brant, o Bispo Silva Coutinho, Jacinto Furtado de Mendonça, Martim Francisco, Monsenhor Muniz Tavares, Evaristo da Veiga dentre muitos outros.

Faz-se necessário também alçar a figura do personagem que se destacou durante todo o movimento articulado e trabalhado pela Maçonaria, o Príncipe Regente, Dom Pedro.

Iniciado Maçom na forma regular prescrita na liturgia e nos rituais maçônicos, e nesta condição de pedreiro livre no grau de Mestre Maçom, aos 24 anos de idade, proclama no 07 de setembro a nossa INDEPENDÊNCIA.

Posteriormente, no dia 04 de Outubro de 1822, D. Pedro comparece ao Grande Oriente do Brasil e toma posse no cargo de Grão-Mestre, senda na oportunidade aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

No mesmo dia, Joaquim Gonçalves Ledo, redigiu uma nota patriótica ao povo Brasileiro, a primeira divulgação, depois da independência, que dizia: “Cidadãos! A Liberdade identificou-se com o terreno; a natureza nos grita Independência; a razão nos insinua; a justiça o determina; a glória o pede; resistir-lhe é crime, hesitar é dos covardes, somos homens, somos Brasileiros. Independência ou Morte! Eis o grito de honra, eis o brado nacional...”

BIBLIOGRAFIA

História do Grande Oriente do Brasil
José Castellani

A Maçonaria e as Forças Secretas da Revolução
Morivalde Calvet Fagundes

A Maçonaria na independência do Brasil
Teixeira Pinto

Os Maçons na Independência do Brasil
José Castellani

A Maçonaria e a independência Brasileira
Tito L. Ferreira e Manoel Rodrigues Ferreira

A Independência e o Império do Brasil
Melo Morais

*Fuad Haddad é adjunto para o Rito Escocês Antigo e Aceito da Grande Secretaria Geral de Orientação Ritualística.

Visita de Bento XVI ao Oriente Médio

Bento XVI pede combate ao antissemitismo



Jerusalém, 11 mai (EFE).- O papa Bento XVI chegou hoje a Israel, onde condenou o Holocausto de milhões de judeus e pediu para combater o antissemitismo "onde estiver, já que, infelizmente, continua levantando sua repugnante cabeça em muitas partes do mundo".



O pontífice aproveitou seu primeiro discurso em Israel para honrar as vítimas do Holocausto e fechar definitivamente a polêmica gerada pelas declarações de um bispo tradicionalista "lefebvriano", o que colocou em pé de guerra a comunidade judaica.



Bento XVI já havia condenado várias vezes o Holocausto, e hoje, ao chegar a Israel, voltou a expressar sua repulsa pelos danos causados ao povo judeu "por ideologias que negam a dignidade fundamental da pessoa".



"É justo e conveniente que minha permanência em Israel honre a memória de 6 milhões de judeus vítimas da Shoah (Holocausto) e que reze para que o mundo jamais tenha que ser testemunha de um crime desse tamanho", disse o papa, em seu discurso diante do presidente de Israel, Shimon Peres, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.



O pontífice denunciou que, "infelizmente", o antissemitismo "continua elevando sua repugnante cabeça em muitas partes do mundo" e isso, ressaltou, "é inaceitável".



O papa acrescentou que é preciso fazer "todos os esforços" para combater o antissemitismo "onde estiver" e para promover o respeito e a estima para todos os povos, raças, idiomas e nações do mundo.



As relações entre o Vaticano e o mundo judaico deterioraram-se nos primeiros anos depois que o bispo Richard Williamson - um dos quatro bispos "lefebvrianos" aos quais Bento XVI acabou de suspender a excomunhão - negou a existência das câmaras de gás e disse que só 300 mil judeus morreram nos campos de concentração nazistas.



O Vaticano sempre disse que bastava que um judeu tivesse morrido nas câmaras de gás para condenar o Holocausto. Com a precisão que o papa fez hoje de "6 milhões", os observadores vaticanos viram uma referência na qual novamente desautorizava o bispo nagacionista.



O papa irá hoje ao Museu do Holocausto de Jerusalém, onde deve voltar a fazer uma nova condenação ao massacre de judeus. EFE

domingo, 10 de maio de 2009

Historia de Paulo Afonso-BA

A região de Paulo Afonso começou a ser habitada por bandeirantes portugueses, no início do século XVIII. Chefiados por Garcia D'Ávila, subiram o rio São Francisco e atingiram as terras onde hoje está localizado o município.
Em 1725, o sesmeiro Paulo Viveiros Afonso, recebeu por alvará uma sesmaria, situada na margem esquerda do rio, no lado alagoano, e que abrangia as terras da cachoeira, até então conhecida como Sumidouro.
Tempos depois, em 1913, Delmiro Gouveia, industrial e empresário da época, vislumbra com o potencial da região, e implanta um grande e ousado projeto, a primeira usina hidrelétrica do Nordeste, a Usina Angiquinho.
A partir da idéia do pioneiro Delmiro Gouveia, o então Presidente do Brasil, Getúlio Vargas assina o Decreto autorizando a organização da CHESF - Companhia Hidrelétrica do São Francisco, oficializada em1948 com a primeira Assembléia Geral de Acionistas.
Em torno da CHESF nasce a o que viria a ser a cidade de Paulo Afonso, até então parte do município de Glória. Só em 1958 a nasce o município, através de sua emancipação política.
Paulo Afonso é uma cidade ainda jovem, com um grande futuro pela frente, uma cidade conduzida por mãos fortes de um povo trabalhador e alegre. Hoje considerada uma das melhores cidades do nordeste, dinâmica e com um grande potencial de crescimento, o verdadeiro “Oásis do Sertão”.

Paulo Afonso Hoje



Ponte D. Pedro II

Ponte metálica construida na década de 50,uma maravilha da engenharia,toda em metal encravada no belo canyon do Velho Chico. É nela que os atletas liberam sua adrenalina em saltos de bungee jump,base jump e rapel,hoje tornou-se ícone da cidade de Paulo Afonso.



Praça das Mangueiras

Construída há mais de quatro de década a praça das mangueiras foi centro de manifestações pública e reduto de idéias que marcaram a história de Paulo Afonso,agora é um marco de integração do acampamento chesf a antiga vila poty.
Hoje a praça se transforma em parque fechando um complexo de três outras: praça do coreto;Abdon Sena e dos aposentados.



Projeto de Pisicultura

Já em funcionamento e em expansão o que será o maior projeto de criação de peixes da América Latina, com estimativa para produzir 50 mil toneladas de pescado por ano, o peixe escolhido foi a tilápia, que teve uma ótima adaptação ao meio e possui uma grande aceitação no mercado. O projeto se utiliza de criações em gaiolas, implantadas no canyon do Rio São Francisco, e um sistema de cultivo em raceway. O projeto conta também com laboratório de Biotecnologia e Genética.

A Visita do Líder religioso do islamismo em Paulo Afonso-Bahia

Prefeito de Paulo Afonso, Anilton Bastos Pereira recebeu livro sagrado das mãos do Sheik Abdul Ahma, representante da comunidade islâmica da Bahia.
Os professores José Fernando e Juracy Marques da UNEB, Prefeito Anilton Bastos, Sheik Abdul Ahmad e vice-prefeito Jugurta.
Na manhã desta quinta, 7, o prefeito Anilton Bastos e o vice Jugurta Nepomuceno, receberam a visita do sheik Abdul Hameed Ahmad. Na ocasião, foi entregue um alcorão, livro sagrado da religião islâmica, como representatividade de tolerância religiosa.
O sheik que está em Paulo Afonso pela primeira vez, veio a convite da UNEB, que em parceria com a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG e o apoio da Prefeitura de Paulo Afonso, realizou ontem à noite o primeiro Seminário Estadual sobre Fundamentalismo e Tolerância Religiosa.
Em debate, a palestra: “O Fundamentalismo e a Tolerância Religiosa no Século XXI: O Islã”. Segundo Juracy Marques, diretor do Departamento de Educação da UNEB, Campus VIII, de Paulo Afonso.
Levar a diversidade cultural e religiosa, mostrando os conceitos do fundamentalismo e a importância social da tolerância religiosa, nos dias atuais, para estudantes e toda a população pauloafonsina, foi o objetivo do seminário.
Para o Prefeito Anilton Bastos, um evento como esse possibilita gerar na comunidade mais conhecimento. “Paulo Afonso" sempre estará de portas abertas para debater sobre assuntos que são importantes e atuais, por isso sempre estará apoiando iniciativas como essa”, frisou o prefeito.

sábado, 2 de maio de 2009

Meu orkut


Olá pessoal, encontra-se o Orkut do Professor Fernando.

O que é o Islã?

O que é o Islã?


Fala-se muito sobre o Islã, mas pouco se sabe ou se discute sobre suas origens, sua dimensão, seu conteúdo e significado contemporâneo. O Islã, do Árabe islã, significa “submissão absoluta do ser diante de DEUS. O fiel islâmico, ou muçulmano, é todo aquele que proclama sua devoção total a DEUS. O islamismo é uma religião monoteísta com mais de 1 bilhão de adeptos em todo mundo, e que mais cresce neste final de século. Mas, além de ser uma religião, são também um conjunto de concepções culturais normas e condutas.

Para tirar todas essas dúvidas, articulamos, junto da Uneb em Paulo Afonso, o 1º Seminário Estadual de Tolerância Religiosa a se realizar em Paulo Afonso no dia 23 de abril, na Uneb, às 19h30min, com o enfoque das três mais importantes religiões Monoteístas da atualidade, o: judaísmo, cristianismo e o islamismo. Nessa primeira palestra virá um representante da comunidade islâmica da Bahia.

Será, sem dúvida, uma grande oportunidade para que todos paulafoninos, aqueles que lêem e examinam fundamentalmente as escrituras, tirem todas dúvidas, participando desse grande evento cultural em nossa cidade e que só vem enriquecer seus conhecimentos seculares e espirituais.Conforme, o que está escrito em nosso livro sagrado, o fundador das três linhas de FÉ da atualidade contemporânea, é Abraão, precursor do monoteísmo Judaico, Cristão e o Islâmico.É só você leitor, consultar a narrativa do capitulo 17 do Livro de Gênesis do Antigo Testamento.Neste capítulo é selado o pacto dos preceitos que norteiam as principais fontes de FÉ de todos nós Orientais e Ocidentais.

Portanto, esperamos todos os visitantes para esse lindo e brilhante evento que acontecerá em Paulo Afonso, no dia 23 de Abril de 2009 na Uneb.

Dentro da programação desse Seminário Estadual a se realizar em Paulo Afonso, o próximo palestrante será um representante da comunidade judaica da Bahia ou de Pernambuco, depois, culminando com uma grande autoridade do meio Cristão.

Todo esse evento, conta com as idéias do Professor Fernando, Professor Juracy Marques e o professor Sandro José Gomes.

Professor Fernando:
Teólogo – Membro do Conselho Federal de Teólogos do Brasil, Filósofo (Licenciado e Bacharel) - Universidade Federal da Bahia, Historiador – Membro da Sociedade brasileira de História Clássica, Membro Permanente do Instituto Geográfico Histórico de Paulo Afonso, Vice-Presedente fundador da Academia de Letras de Paulo Afonso.