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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Holocausto

Holocausto
Começa em Munique o julgamento de John Demjanjuk, suposto guarda nazist


Aos 89 anos e de cadeira de rodas, Demjanjuk chegou nesta segunda-feira à corte de Munique

MUNIQUE - Acusado de ajudar a matar 27,9 mil civis - na maioria, judeus - em 1943, o suposto guarda de um campo de concentração nazista John Demjanjuk, considerado o último algoz do regime de Hitler vivo, começou a ser julgado nesta segunda-feira, no que será o último grande processo na Alemanha por crimes nazistas.

O homem de 89 anos foi deportado em maio dos Estados Unidos para a Alemanha , onde segue preso desde então. Ele chegou nesta segunda-feira à corte de Munique para o início do julgamento.

Demjanjuk é acusado de ter sido guarda voluntário da SS. Ele pode receber pena de 15 anos de prisão, caso seja condenado pelas atividades no campo de extermínio de Sobibor, na Polônia.

O acusado liderava a lista dos 10 suspeitos mais procurados pelo Centro Simon Wiesenthal, e um juiz de Munique expediu um mandado de prisão em março para julgá-lo por supostamente ter ajudado nos assassinatos do campo de concentração Sobibor.

Mais de 60 anos após a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, a cobertura da mídia na Alemanha sobre o caso tem sido restrita, com muitos alemães, especialmente os mais jovens que não viveram a guerra, ávidos por informações sobre o passado nazista.

Demjanjuk perdeu sua cidadania americana após ter sido acusado em 1970 de ser "Ivan o Terrível", um guarda conhecidamente sádico do campo de concentração Treblinka.

Ele foi extraditado para Israel em 1986, e sentenciado a morte em 1988 após sobreviventes do Holocausto terem o identificado como o guarda de Treblinka. Mas a Suprema Corte de Israel reviu a sentença, após evidências de que outro homem era o provável "Ivan".

Ele reconquistou a cidadania em 1998, mas o Departamento de Justiça dos EUA reviu o caso em 1999, argumentando que ele trabalhou para os nazistas como guarda em três outros campos e escondeu esse fato. Sua cidadania dos EUA foi retirada novamente em 2002.

Demjanjuk, que nasceu na Ucrânia, nega ter participado do Holocausto e a família dele alega que ele está muito frágil para suportar um julgamento . Ele diz ter sido recrutado pelo Exército soviético em 1941, tornado prisioneiro de guerra alemão e trabalhado em prisões alemãs até 1944.

domingo, 29 de novembro de 2009

A CORRUPÇÃO

A corrupção no Brasil , está classificada junto a 163 países na base na percepção de corrupção entre autoridades públicas e políticos , no chamado INDICE DE PERCEPÇÃO DE CORRUPÇÃO. O Brasil caiu oito posições esse ano, comparado ao ano passado e está em 70° lugar no ranking total. E em 14° entre os países da América. Mas por que desse resultado? O Brasil é tão grande e tão rico, porque está tão alto seu índice de corrupção? Será que faltam leis ao combate da corrupção?

É duro que não, as leis penais brasileiras são o suficiente para combater a corrupção. O problema é o jeito que se aplica às leis nesses atos corruptos por parte da policia, o que é muito mal feito aqui no Brasil infelizmente.

A corrupção existe sim e ela está por toda parte, nos bancos nas lojas nos dinheiros , ela é inestimável, o que está acontecendo hoje em dia e que a mídia está cada vez mais e mais denunciando atos corruptos de deputados,prefeitos,senadores,policiais e etc , mas o problema é muito mais do que falta de aplicações de leis penais na criminalidade, mas sim como devemos lidar com ela.

No nosso país não existe uma justiça séria, é claro que no Brasil existi sim pessoas honestas, mas há também um numero muito maior de pessoas sem ética e
sem respeito pelo próximo, que pensam só em si mesmas.

Existe um sistema de corrupção tão forte aqui que, as faltas de cumprimentos de leis, e a falta de valores humanos estão exterminando os valores éticos brasileiros, fazendo com que muita pessoas não pensem no futuro do Brasil , fazendo que o Brasil se torne cada vez mais um país mal visto por todos, em outras palavras, o Brasil ficara cada vez mais infernal para viver, o que já está acontecendo em alguns lugares do Brasil.

A honestidade hoje em dia aqui, esta cada vez mais extinta pelos corruptos desse país cruel, mas não podemos desistir temos que alcançar nossos valores humanos temos que ter ética sobre o próximo, pois agora está vindo uma nova geração, os mais velhos tem a missão de fazer em que seus filhos e netos virem críticos e revolucionários para melhoria da vida desse país.

Vamos ao combate a corrupção , vamos denunciar, vamos a evitar, vamos preparar nossos filhos para que um dia saiba lhe dar sozinho na vida nesse país, vamos brigar pelos nossos direitos,vamos dizer NÃO A CORRUPÇÃO.

Imagens Folosoficas

domingo, 22 de novembro de 2009

Consciência negra - dia 20 de novembro

Consciência negra: hoje, 20 de novembro, viva nosso líder Zumbi!



Jorge Portugal | Redação CORREIO

'A felicidade do negro é uma felicidade guerreira'. Iluminado Wally Salomão que sintetizou à risca o estilo de nossa luta. Em um país que manteve a escravidão até o último soar do gongo, as palavras étnico ou racial são capazes de reacender traumas freudianos.

Em um país em que, a partir de 14 de Maio de 1888, os ex-escravos foram empurrados para a margem da sociedade, sem trabalho, sem escola , sem cidadania, tocar nesse assunto 120 anos depois é quase provocar a ira dos 'homens bons'.

Por isso, a política de cotas causa tamanho mal –estar; por isso, o Estatuto da Igualdade Racial causa tanto clamor, porque traz, na sua definição, a palavra proibida: racial. Fosse igualdade social, igualdade cultural, igualdade surreal, até poderia; mas...racial, não! Tampouco étnica. É muito desaforo! Submete-se um povo pela força, transforma-o em motor perpétuo criador de riqueza, proíbe-lhe a religião, sua expressões culturais, cassa-lhe praticamente a alma por quatrocentos anos, e século depois de sua 'libertação', a 'elite branca' (definição de um dos seus pares) ainda tem chiliques quando se fala em reparar tamanho sofrimento e exclusão.


Os sons dos atabaques nos terreiros de culto aos orixás são uma
referência às nossas raízes africanas

Para esses 50,2% da população brasileira, ainda faltam lugares nas boas escolas e universidades; mas sobram assentos na maioria dos colégios públicos, sem material de estudos e sem professores presentes. Ainda falta a auto-estima da visibilidade positiva em cargos e postos qualificados; mas sobram lugares nas periferias e nas cadeias. Ainda falta lugar no acolhimento solidário do olhar que abraça a diferença; mas sobra espaço nas atitudes de preconceito e racismo que ainda são a marca de nossas relações sociais.

Temos, na Bahia, algumas belas e eficientes trincheiras que começam a comemorar significativas vitórias: da saída do Ylê Aiê, no carnaval de 1974 à criação das secretarias de promoção da igualdade racial ( municipal e estadual), passando pelo Instituto Steve Biko, Quilombos Educacionais, Central do Vestibular, MNU, Unegro, Fundação Palmares com Bira Castro e Zulu Araújo, reitorados recentes da Uneb e Ufba ( Ivete, Valentim e Naomar), tudo tem sido resistência e luta, como numa letra de rap, ou num reggae de Édson Gomes.

Os primeiros resultados dos cotistas da Uneb – que agora se formam – derrubam todos os argumentos dos opositores; revelam que aquilo que os negros e negro-mestiços fazem no campo da música, dança, culinária podem fazem mais ainda no campo da ciência.

Somos deuses do tambor, mas o tambor não pode virar mais um gueto! Movimentos negros e negros em movimento: Zumbi é espelho e referência, assim como Milton Santos, nosso Zumbi contemporâneo.Mas o Brasil só será uma democracia social quando conseguirmos a vitória da igualdade racial.Por isso, até chegarmos lá, 'todo dia é dia santo', 'dia 20' é todo dia.

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domingo, 15 de novembro de 2009

Clima

Países ricos descartam acordo definitivo em Copenhague

Metas obrigatórias de redução de emissões devem ficar só para 2010, em uma próxima conferência


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PEQUIM - Líderes políticos da região asiática, dos Estados Unidos e da Europa descartaram no domingo, 15, a possibilidade de assinar um novo tratado climático internacional em Copenhague, no mês que vem. No linguajar diplomático, fala-se agora em um acordo "politicamente vinculante", em vez de "legalmente vinculante", o que ficaria para uma próxima conferência, em 2010.


Na prática, isso significa que as metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa para a segunda fase do Protocolo de Kyoto seriam definidas só no ano que vem.


"Dado o fator de tempo e a situação de alguns países específicos, deveríamos, nas próximas semanas, focar esforços no que é possível fazer, sem nos deixar distrair por aquilo que não é possível", disse o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen. Anfitrião do encontro do próximo mês, Rasmussen fez ontem uma viagem não programada a Cingapura, para conversar com os governantes das 21 nações que compõem a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) – grupo que inclui os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa.


O possível, segundo Rasmussen, seria um acordo político em Copenhague que estabelecesse diretrizes básicas e um novo prazo para negociação de metas específicas de redução de emissões. O impossível seria fechar essas metas já no mês que vem, antes que o projeto de lei sobre mudança climática dos Estados Unidos possa ser votado no Congresso americano.


"Mesmo que não consigamos definir todos os detalhes de um instrumento legalmente vinculante, eu acredito que um acordo político de caráter obrigatório, com compromissos específicos de mitigação e financiamento, fornecerá bases sólidas para ação imediata nos próximos anos", disse Rasmussen.


Esse documento político, que poderia ter de cinco a oito páginas, criaria mecanismos para o enfrentamento imediato do problema, "antes mesmo que uma nova estrutura legal seja acordada, assinada, ratificada e efetivada", completou o primeiro-ministro dinamarquês.


A opinião dos governantes que se reuniram sábado e domingo em Cingapura foi transmitida pelo vice-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Mike Froman. "Os líderes avaliaram que seria irrealista esperar um amplo acordo internacional legalmente vinculante entre agora e o início de Copenhagen (no dia 7)", disse o norte-americano, segundo as agências internacionais.


Na verdade, as negociações começaram há dois anos, após a conferência de Bali, na Indonésia, que estabeleceu 2009 como prazo legal para renovação das metas do Protocolo de Kyoto. Vários países industrializados, porém, condicionam a definição de suas metas à participação dos Estados Unidos – algo que depende da votação da lei americana no Congresso.


A disposição internacional de aprovar metas ambiciosas e obrigatórias de corte de emissões diminuiu depois da crise econômica de 2008. Os países ricos estão preocupados com a situação econômica e resistem a assumir compromissos que possam prejudicar a retomada do crescimento.


O tema está na agenda do presidente americano Barack Obama, que desembarcou ontem em Pequim para um encontro com o presidente chinês, Hu Jintao. Anteontem, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy, criticaram uma suposta estratégia dos colegas americano e chinês de negociar um acordo climático bilateral, em detrimento de um tratado internacional em Copenhague.

domingo, 8 de novembro de 2009

Shimon Peres no Brasil

Shimon Peres: "O Brasil é o primeiro país que desconhece a discriminação racial"
O presidente de Israel, que chegará ao Brasil na terça-feira (10), fala a ÉPOCA sobre o que pretende conhecer por aqui e comenta a relação brasileira com o Irã: "Acredito que Lula seja um homem com valores, que condenaria uma tentativa de destruir outro país"
Juliano Machado, de Jerusalém
Jim Hollander

Quais são as razões da sua visita ao Brasil? E o que o senhor espera dela?
Shimon Peres - "Espero (aprender) e ver se conseguimos melhorar e enriquecer as relações entre Israel e o Brasil. Sobre aprender, quando penso no Brasil, penso nas seguintes coisas que me impressionam: talvez o Brasil seja o primeiro país do mundo que decidiu enfatizar as questões sociais, acima de considerações econômicas. O Brasil acredita que a economia deve ajudar a sociedade, não o contrário. Não haveria nada sensacional nisso, se não houvesse sido conquistado. As grandes conquistas do Brasil foram, antes de tudo, sociais, e não econômicas. O segundo fator é a tremenda tolerância do povo brasileiro. O Brasil é o primeiro país que desconhece a discriminação racial. Gente das mais diversas origens vive unida. Não é uma proposta simples, porque Lula enfrenta vários problemas, como a corrupção, falta de disciplina. Então, quero ver as mudanças que houve no país, os programas contra a pobreza e também as políticas de incentivo ao etanol. Acho que temos muito a aprender com o Brasil. O Brasil decolou de forma impressionante no domínio da ciência e tecnologia. Mas também vou ao Brasil para ver as inacreditáveis belezas do Rio de Janeiro.

O senhor também vai ao Maracanã?
Peres – Sim. Mas o Brasil não é só entretenimento. O Brasil é uma "new declaration" sobre política, economia e questões sociais. Bom, acho que um homem jovem como eu (risos), que pretende frequentar a escola, pensa em aprender algo (do Brasil). Quero ver como são as coisas em sua realidade. Acho que podemos aprofundar nossa boa relação com o Brasil. Além disso, há a comunidade judaica no Brasil, com a qual pretendo me encontrar.

E o que Israel pode ensinar ao Brasil?
Peres – Como ser pequeno (risos). Mas acho que não sei (o que ensinar). Falei brincando. O Brasil não tem um território pequeno, sem água, sem petróleo. Talvez possamos dizer como nós avançamos. Não vivemos do nosso tamanho, mas do nosso cérebro. Pode interessar ao Brasil saber como desenvolvemos a agricultura sem terra e água. Somos o primeiro país do mundo que tem uma agricultura baseada na alta tecnologia.

Quais são as expectativas de Israel em relação ao papel diplomático do Brasil no Oriente Médio?
Peres – Vocês sabem bem que a diplomacia, assim como a economia, está ficando cada vez mais global. Nenhum país pode mais viver isolado. Mas ainda não se pensa na paz como uma questão global. Para fazer a paz no Oriente Médio é preciso reduzir as ameaças num plano global e aumentar o apoio a soluções pacíficas. Gostaria muito de ver o Brasil participando.

Logo após sua visita, o Brasil vai receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, um homem que nega o Holocausto e diz querer destruir Israel. Como o senhor vê essa proximidade entre Ahmadinejad e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
Peres – Vou visitar o Brasil, e não debater com Ahmadinejad. Acredito que Lula seja um homem com valores, que (condenaria).uma tentativa de destruir um outro país de introduzir o terror, como houve este caso agora do navio abordado pela Marinha israelense cheio de armas, vindas do Irã para abastecer terroristas. Mas eu, particularmente, não vou abordar esse assunto no Brasil.

O senhor não vai tocar nesse assunto e transmitir sua mensagem a Lula sobre essa questão?
Peres – Eu certamente farei isso em conversa privada, mas não acho que seja apropriado ir a um país e falar de outro. Bom posso fazer isso privadamente, mas não em público.

O Brasil alega que receber Ahmadinejad pode ser uma forma de facilitar as negociações sobre o programa nuclear iraniano. O senhor considera um argumento válido?
Peres – Acho que devo ouvir atentamente qualquer um que se oferece a ajudar, por que não? Os iranianos não são nossos inimigos. Os árabes não são nossos inimigos tampouco. Os muçulmanos não são nossos inimigos. Nossos inimigos são a guerra, a ameaça, o terror, a destruição. Eu não vou brigar com o povo iraniano no Brasil. Sobre o presidente iraniano, todo mundo sabe há anos qual a sua posição. Acredito que não se pode esperar muita civilidade de alguém que prega a destruição de Israel, que nega o Holocausto e que ele fornece armas para o terror. Mas não gostaria que nossa atitude em relação ao governo do Brasil criasse a impressão de que estamos brigando com o o povo iraniano.

Como o sr. avalia a relação de Israel com a América Latina (a Venezuela e a Bolívia não mantêm relações diplomáticas com os israelenses)?
Peres – Tem seus altos e baixos. A América Latina desempenhou um papel muito construtvo na construção de Israel, como o presidente da Assembléia-Geral que decidiu sobre Israel (o brasileiro Osvaldo Aranha, em 1947). A relação em geral foi muito calorosa. Mas esses altos e baixos na América Latina propriamente dita. A América Latina libertou-se de ditaduras militares. Em termos gerais, a maioria dos países dessa região empenhou-se em se tornar democracias econômicas. Agora esperam ser democracias políticas também. Há algumas exceções. Chávez, por exemplo: muito petróleo e autocontrole insuficiente. Eu gosto de algumas comentários dele, como que não se deve cantar no chuveiro (risos). Ele disse que a jacuzzi vai contra o comunismo. O que ele quer dizer, claro, é que não devemos gastar água. Não tenho nada contra isso.

Mas que tipo de controle deveria ser aplicado a Chávez?
Peres – Olhe, um homem que decide que é o líder supremo para o resto da vida. Que sai por aí fazendo alianças, por exemplo, com o Irã. Que condena Israel. Por quê? Para quê? O que fez Israel à Venezuela? Tínhamos uma tradição de excelentes relações com a Venezuela. O povo venezuelano é um grande povo. Eu me pergunto como se pode injetar extremismo nas veias do povo venezuelano, mas esse é o efeito. Ele é um líder muito particular, que governa o país pela televisão. O que é interessante, devo dizer.

Mas há um crescente discurso antissemita na América Latina. Recentemente, um radialista de Honduras perguntou, ao vivo, se Adolf Hitler não estava certo por querer "acabar com essa raça" (de judeus)? Isso não o preocupa?
Peres – Fico surpreso de sermos alvo (de hostilidade) até em Honduras. Pergunte a um israelense se sabe quem é o presidente de Honduras. Fiquei surpreso de ouvir isso. Não é problema nosso. Mas como um homem honrado, devo dizer que o ódio não tem futuro (no mundo).

Entre a sua visita e a de Ahmadinejad, Lula vai receber também o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Como o senhor vê essa relação do Brasil com os palestinos?
Peres – Os árabes não são nossos inimigos. E se o Brasil tem boas relações com eles, também queremos ter. Se Abbas for amigo do Brasil e o Brasil for amigo de Abbas, por que não?

Mas Lula já foi à Síria, ao Líbano e a outros países do Oriente Médio, mas não veio a Israel...
Peres – Espero que ele encontre interesse e tempo. É como eu digo: se a montanha não vem a Maomé... Ele tem sua agenda e suas prioridades, não tenho que lhe dar lições. Nós o consideramos um amigo. Nós nos conhecemos há muito tempo. Começamos na mesma trilha socialista, então posso dizer que lembro dele "desde a "infância". Ele tem seu próprio jeito de priorizar as coisas. Claramente eu devo convidá-lo.

Qual é o nível de preocupação de Israel com a crescente penetração do Irã e do Hizbollah na América Latina?
Peres – Não houve interferência iraniana na América Latina. Veja a Argentina. Eles explodiram uma bomba no Centro Judaico e mataram centenas de pessoas. E você acha que a Argentina queria isso? Quem quer uma interferência com bombas? Quem quer uma intervenção do terrorismo? Uma intervenção de ódio? A maioria dos povos latino-americanos é pacifista. E a lei deles é como a nossa, a lei da amizade, da paz, do respeito humano. Não acredito que isso vá mudar. O Irã está afastado dessa mensagem. Essa intervenção do Irã não vai durar mais que a própria permanência do presidente atual. Qual é a mensagem deles? Querem dominar o resto do mundo? Isso é mensagem? O chamado "sistema presidencialista iraniano" não vai durar para sempre, pois eles não têm nada a oferecer ao resto da humanidade, nem sequer para seu próprio povo. Mas eles têm essa tremenda ambição de dominar, de bancar os super-homens. Não aceitamos isso e não acreditamos que a América do Sul aceitará isso.

Saiba mais
"Não esperem civilidade de Ahmadinejad"

Se o regime de Ahmadinejad permanecer por mais tempo e as negociações com Teerã fracassarem, está na mesa a hipótese de Israel atacar o Irã?
Peres – Israel não tem intenção de monopolizar o problema do Irã. Esse é um problema para o mundo. Temos que seguir a liderança do mundo. Em segundo lugar, não gostaria de falar várias línguas ao mesmo tempo. Não colocaria a opção militar acima de tudo. Tudo que puder ser feito pacífica, política, econômica e psicologicamente deve ser feito. Não somos os líderes do mundo. Já conversei com muitos líderes mundiais - Medvedev, Putin, não só Obama, Sarkozy ou Brown - e todos me disseram estar empenhados em evitar uma bomba nuclear iraniana.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Os Miseráveis - Victor Hugo

Os Miseráveis, do escritor francês Victor Hugo, foi escrito em 1862 e é uma narração de caráter social em que o misticismo, a fantasia e a denúncia das injustiças formam uma trama complexa, onde descreve vividamente, ao tempo de condenação, a injustiça social da França do século XIX.

Os Miseráveis é uma obra grandiosa no estilo narrativo e descritivo de Hugo, que esbanja a elegância, a riqueza e o fausto do barroco. Mas o romântico autor transcende os floreios da linguagem recheando essa estrutura estilística de um conteúdo rico e psicologicamente profundo: os movimentos dramáticos da alma humana sacudida por um turbilhão de anseios, sentimentos e emoções. É também grandioso pelos personagens intensos e extremados, figuras humanas que como Jean Vayean e o próprio policial Javert, perseverante, obstinado e frio, vivem sob a égide inabalável de princípios e ideais, a ponto de serem quase que sufocados pelas conseqüências emocionais de seus próprios atos. Os personagens são dotados de uma humanidade que resvala, por vezes para o belo mas também para o bizarro. Os cenários são descritos com riqueza de detalhes que podemos visualizá-los e imaginar que estamos nas cidadelas da França do século XIX ou vivendo a Batalha de Waterloo.

O romance conta a triste história de um homem (Jean Valjean), que, por ver os irmãos passarem fome, rouba um pedaço de pão e é condenado a 5 anos de prisão. Devido às tentativas de fuga e mau comportamento na cadeia, acaba sofrendo outras condenações, pagando 19 anos de reclusão. O livro é uma denúncia contra as injustiças do poder judiciário que vem se repetindo em todas as épocas. Para o autor, o mundo é o terreno onde se defrontam os mitos, o bem e o mal, a bondade e a crueldade.

Jean Valjean - é um homem que vive uma situação de miserabilidade no mesmo período em que Napoleão III (Imperador da França, de 1852 a 1871) aumentara seus gastos com a política externa francesa em busca de glória política. A vida miserável leva-o ao crime, mas se reabilita socialmente quando consegue uma ajuda caridosa. Em certo sentido, Jean é a própria mancha social que os projetos urbanos de Haussmann (Prefeito em Sena, de 1853 a 1870) pretendiam jogar para a periferia, mas que insistia em invadir o centro em horários inoportunos, emergindo literalmente de dentro de si (metáfora dos esgotos de Paris).

Na descrição que Victor Hugo faz da vida do personagem Jean Valjean, podemos observar que há o cuidado de evidenciar as circunstâncias que o levaram ao crime e, portanto, mais do que uma questão de gosto ou preferência pessoal por uma vida irregular, tratava-se de uma situação social que deveria ser encarada francamente pela sociedade em geral e pelas autoridades políticas em particular:

Jean Valjean, de humilde origem camponesa, ficara órfão de pai e mãe ainda pequeno e foi recolhido por uma irmã mais velha, casada e com sete filhos. Enviuvando a irmã, passou a arrimo da família, e assim consumiu a mocidade em trabalhos rudes e mal remunerados (...). Num inverno especialmente rigoroso, perdeu o emprego, e a fome bateu à porta da miserável família. Desesperado, recorreu ao crime: quebrou a vitrina de uma padaria para roubar um pão. (...) Levado aos tribunais por crime de roubo e arrombamento, foi condenado a cinco anos de galés. (...) Mesmo na sua ignorância, tinha consciência de que o castigo que lhe fora imposto era duro demais para a natureza de sua falta e que o pão que roubara para matar a fome de uma família inteira não podia justificar os longos anos de prisão a que tinha sido condenado.

Nota: O clássico Os miseráveis foi chamado de "um dos maiores best-sellers de todos os tempos". Nas 24 horas seguintes à publicação da primeira edição de Paris (1862), as 7 mil cópias foram todas vendidas. O livro foi publicado simultaneamente em Bruxelas, Budapeste, Leipzig (na Alemanha), Madri, Rio de Janeiro, Rotterdam e Varsóvia. Depois, a obra foi traduzida para quase todas as línguas do mundo. No século XX, Os miseráveis se tornou filme e musical da Broadway.

Enredo

No início do século XIX, na França, Jean Valjean rouba um pedaço de pão para os sobrinhos famintos e é injustamente condenado a prisão e a marginalidade. Após cumprir 19 anos de prisão com trabalhos forçados, Jean Valjean é acolhido por um gentil bispo, que lhe dá comida e abrigo. Mas havia tanto rancor na sua alma que no meio da noite ele rouba a prataria e agride seu benfeitor, mas quando Valjean é preso pela polícia com toda aquela prata ele é levado até o bispo, que confirma a história de lhe ter dado a prataria e ainda pergunta por qual motivo ele esqueceu os castiçais, que devem valer pelo menos dois mil francos.

Este gesto extremamente nobre do religioso devolve a fé que aquele homem amargurado tinha perdido.

Após nove anos, com o nome de senhor Madeleine, ele se torna prefeito e principal empresário em uma pequena cidade, mas sua paz acaba quando Javert, um guarda da prisão que segue a lei inflexivelmente, tem praticamente certeza de que o prefeito é o ex-prisioneiro que nunca se apresentou para cumprir as exigências do livramento condicional. A penalidade para esta falta é prisão perpétua, mas ele não consegue provar que o prefeito e Jean Valjean são a mesma pessoa. Neste meio tempo uma das empregadas de Valjean (que tem uma filha que é cuidada por terceiros) é despedida, se vê obrigada a se prostituir e é presa. Seu ex-patrão descobre o que acontecera, usa sua autoridade para libertá-la e a acolhe em sua casa, pois ela está muito doente. Sentindo que ela pode morrer ele promete cuidar da filha, Cosette, mas antes de pegar a criança sente-se obrigado a revelar sua identidade para evitar que um prisioneiro, que acreditavam ser ele, não fosse preso no seu lugar. Deste momento em diante Javert volta a persegui-lo, a mãe da menina morre mas sua filha é resgatada por Valjean, que foge com a menina enquanto é perseguido através dos anos pelo implacável Javert.

O tempo passa e a menina Cosette se apaixona profundamente por Marius, um jovem e carismático revolucionário.

Em plena revolução de 1832, a busca incansável de Jean Valjean pela redenção alcança seu clímax quando ele escolhe sacrificar sua liberdade para salvar o grande amor de Cosette, até que um dia o confronto dos dois inimigos é inevitável, e só então, através da grandeza de seu ato, Jean Valjean se sente verdadeiramente livre da perseguição impiedosa do policial Javert. Valjean teve de lutar muito para mostrar que era um homem de bem e conseguir viver em paz.

Fragmentos do livro

Jean Valjean foi conduzido diante dos tribunais daquele tempo por "roubo e arrombamento durante uma noite numa casa habitada".

Jean Valjean foi declarado culpado. Os termos do código eram categóricos. Nossa civilização tem momentos terríveis: são os momentos em que uma sentença anuncia um naufrágio. Que minuto fúnebre este em que a sociedade se afasta e relega ao mais completo abandono um ser que raciocina!

Começou por julgar a si mesmo. Reconheceu não ser um inocente injustamente punido. Concordou que havia cometido uma ação desesperada e reprovável, que, talvez, se tivesse pedido, não lhe haveriam de recusar o que roubara, que, em último caso deveria confiar na caridade ou no próprio trabalho, que afinal, não era razão suficiente afirmar-se que não pode esperar quando se tem fome.

Era necessário, portanto, ter paciência... porque afinal era absurdo ele, infeliz e mesquinho como era, querer pegar toda uma sociedade pelo pescoço, e ter pensado que é pelo roubo que se foge à miséria, pois é impossível sair-se da miséria pela porta que leva à infâmia. Enfim, ele estava errado.

Depois deve ter perguntado a si mesmo:

Nessa história toda, o erro era só dele? Era igualmente grave o fato de ele, operário, não ter trabalho e não ter pão. Depois de a falta ter sido cometida e confessada, por acaso o castigo não foi por demais feroz e excessivo? Onde haveria mais abuso: da parte da lei, na pena, ou da parte do culpado, no crime? Não haveria excesso de peso em um dos pratos da balança, justamente naquele em que está a expiação? Por que o exagero da pena não apagava completamente o crime, quase que invertendo a situação, substituindo a falta do delinqüente pela da Justiça, fazendo do culpado a vítima, do devedor credor, pondo definitivamente o direito justamente do lado de quem cometeu o furto?

Pode a sociedade humana ter o direito de sacrificar seus membros, ora por sua incompreensível imprevidência, acorrentando indefinidamente um homem entre essa falta e esse excesso, falta de trabalho e excesso de castigo? Não era, talvez, exagero a sociedade tratar desse modo precisamente os seus membros mais mal dotados na repartição dos bens de fortuna, e, conseqüentemente, os mais dignos de atenção?

É próprio das sentenças em que domina a impiedade, isto é, a brutalidade, transformar pouco a pouco, por uma espécie de estúpida transfiguração, um homem em animal, às vezes até em animal feroz. As sucessivas e obstinadas tentativas de evasão, bastariam para provar o estranho trabalho feito pela lei sobre a alma humana. Jean Valjean renovou as fugas, tão inúteis e loucas, toda vez que se apresentou ocasião propícia, sem pensar um pouquinho nas conseqüências, nem nas vãs experiências já feitas. Escapava impiedosamente, como o lobo que encontra a jaula aberta. O instinto lhe dizia: "Salve-se". A razão lhe teria dito: "Fique"! Mas, diante de tentação tão violenta, o raciocínio desaparecia, ficando somente o instinto. Era o animal que agia. Quando era novamente preso, os novos castigos que lhe infligiam só serviam para torná-lo mais sobressaltado.

A história é sempre a mesma. Essas pobres criaturas, carecendo de apoio, de guia, de abrigo, ficam ao léu, quem sabe até, indo cada uma para seu lado, mergulhando na fria bruma que absorve tantos destinos solitários, mornas trevas onde, na sombria marcha do gênero humano desaparecem sucessivamente tantas cabeças desafortunadas.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Há 20 anos o Muro de Berlim

Queda do Muro de Berlim: significado e consequências ainda reverberam

Robert J. Lieber *, Jornal do Brasil

WASHINGTON - Eventos importantes têm vida própria, e a Queda do Muro de Berlim pode ser incluído nesta lista. Duas décadas depois, o episódio ainda reverbera no que tange ao seu significado e às suas consequências. A entrada da alegre multidão de moradores da parte oriental na Berlim Ocidental, em 9 de novembro de 1989, representa não apenas memória indelével para aquelas pessoas, como simboliza transformações mais profundas: a reunificação pacífica da Alemanha, uma Europa unida e livre; o fim da Guerra Fria que ameaçava mergulhar os EUA, a União Soviética, e seus respectivos aliados em um conflito catastrófico; e uma evidência de que, ao receberem a chance de escolher, as pessoas acabarão exigindo a liberdade.

O muro caiu por motivos de grande e pequeno porte, embora isso não diminua a surpresa, ou o choque de ter acontecido tão de repente e de forma tão pacífica. Desde a criação da comunista República Democrática Alemã (RDA), no setor oriental da Alemanha, ocupada pela União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial, um grande número de pessoas aproveitou a oportunidade para mudar do leste para o oeste. Depois de agosto de 1961, os que se arriscavam a fugir o faziam sob circunstâncias bem perigosas e, às vezes, submetiam-se a condições letais.

Essas pessoas deixaram casas e amigos em busca de uma vida melhor, atraídos pelo materialismo e a liberdade do outro lado do muro. Nos últimos meses, à medida que a Tchecoslováquia e a Hungria liberalizaram, os alemães orientais fugiram em massa pelos países vizinhos. Ao tentar impedir a fuga, a GRD não pôde evitar derramamento de sangue. Além disso, os 400 mil soldados do Exército Vermelho alocados na Alemanha Oriental não iam parar, não em 1989, para salvar um cambaleante regime.

A Queda do Muro representou apenas uma das quatro transformações históricas comprimidas em um período curto: fim de uma Alemanha e de uma Europa divididas; fim da Guerra Fria; colapso do comunismo soviético e de quase todos os seus imitadores; dissolução da URSS em 15 repúblicas. Essas transformações estimularam um enorme otimismo. Seria esse o "Fim da História"? Os acontecimentos pós-Queda do Muro marcaram o início de mudanças dramáticas na Europa Oriental, no Cáucaso e na Ásia Central, assim como na América Latina e na África.

Transições para a democracia e distância de economias controladas pelo Estado eram práticas recorrentes em países do antigo Pacto de Varsóvia, nomeadamente a Polônia, a República Tcheca e a Hungria, mas também toda a região. A Federação Russa e muitas das suas 14 ex-repúblicas também adotaram formas democráticas de governo e de transformação econômica, embora muitas delas tenham se deparado com resultados decepcionantes. Na própria Rússia, as formas iniciais da democracia durante os governos de Gorbachev (1985-1991) e Boris Yeltsin (1991-1999) foram sobrecarregados por uma transição caótica, bem como por um colapso econômico.

De 1999 em diante, as instituições do país se tornaram cada vez mais estáveis, mas assumiram uma forma semiautoritária em que, apesar da aparência de democracia, o presidente Vladimir Putin (1999-2008; primeiro-ministro, desde 2008) e seus colegas lideraram o que a revista The Economist chama de um dos mais “criminalizados, corruptos, e burocratizados países do mundo”.

Mesmo onde a corrupção e o desempenho do governo não são fatores determinantes, algumas dúvidas podem continuar. Recente pesquisa de opinião na antiga Alemanha Oriental revelou que 57% dos entrevistados defenderam a antiga República Democrática Alemã, e até aqueles que admitem os aspectos negativos agora dizem que “a vida era boa lá.” Certamente, há certa nostalgia, ocasionada pelas frustrações previsíveis da vida cotidiana, especialmente em época de recessão e alto desemprego.

Explicar esse tipo de apologia à ditadura exige compreensão sensível das atitudes e experiência histórica. A população da Alemanha Oriental não estava acostumada com os desafios, os riscos, e as oportunidades de vida numa sociedade livre. Eles viveram por 56 anos sob ditaduras: de 1933 a 1945 sob os nazistas e, depois, até 1989 sob um regime comunista imposto pelos soviéticos. Adaptar-se à vida em uma democracia liberal e uma economia de mercado deve exigir mudanças referentes à geração.

A prevalência de uma futuro global para sociedades livres e economias de mercado não deve ser predeterminada, mas com esforço e comprometimento, a chance de sustentá-las e estendê-las continua promissora.

* Professor da Universidade de Georgetown

domingo, 1 de novembro de 2009

Anti-semitismo no mundo contemporâneo

Anti-semitismo é a ideologia de aversão cultural, étnica e social aos judeus. O termo foi utilizado pela primeira vez pelo escritor anti-semita Wilhelm Marr, em 1873, surgindo como uma forma de eufemizar a palavra alemã "Judenhass", que significava “ódio aos judeus”. Ao pé da letra, o termo “anti-semita” é errôneo, visto que os árabes também são“semitas”, descendentes de Sem, filho de Noé. No entanto, a palavra se refere unicamente ao povo judeu. Desde o fim do século XI, os judeus eram segregados na Alemanha, embora o anti-semitismo em si tenha surgido a partir da década de 1870.

Durante anos, foi criado na Alemanha, no entanto em uma intensidade menor, o sentimento de que os judeus eram os responsáveis pelos males ocorridos no país. O diplomata, escritor e filósofo francês Arthur de Gobineau, um dos maiores teóricos do racismo, afirmava que os judeus eram inferiores aos arianos, tanto moral quanto fisicamente. Essa ideologia encontrou seu ponto máximo no nazismo. Em seu livro “Mein Kamff”, Adolf Hitler traçou o perfil dos judeus: um povo parasita, incorporado ao organismo de outros povos. Segundo ele, eram um povo explorador, que vivia do trabalho dos outros e da exploração econômica, visando apenas o lucro, nunca o bem da comunidade.

A forte e eficiente propaganda nazista fez com que a população alemã tomasse ódio pelos judeus, assim, as pessoas foram convencidas de que eliminá-los era conveniente para a nação. Como consequência de uma ideologia bem trabalhada, todas as tensões sociais eram canalizadas para a questão anti-semita.

Em 1933, foi aprovada uma lei que deixava os judeus fora da proteção da legislação. Dessa forma, os mesmos passaram a ser presos de forma legal e confinados em campos de concentração sem nenhum motivo. No fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 6 milhões de judeus (dois terços da população da Europa) haviam sido mortos.