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domingo, 31 de janeiro de 2010

Venezuela

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Instabilidade na Venezuela preocupa Brasil

Agência Brasil


BRASÍLIA - A crise política, econômica e social na Venezuela é observada com preocupação e cautela pelos negociadores brasileiros. A orientação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é para que todos os setores se preparem para ampliar o apoio ao país vizinho e assim evitar o agravamento das tensões. O objetivo é conter o risco de desagregação e desmantelamento das instituições no governo do presidente Hugo Chávez.

Analistas internacionais avaliam que, sob pressão, a tendência é de Chávez intensificar sua campanha anti-Estados Unidos na tentativa de reduzir o foco das atenções sobre os problemas internos da Venezuela e buscar responsáveis externos para a crise. Porém, o governo brasileiro evitará conflitos e oficialmente afirmará que as questões do presidente venezuelano são de ordem interna.

Na última semana, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimermann, e o assessor especial para Asuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, seguiram para para Caracas na tentativa de ajudar o governo Chávez no setor energético. Antes, especialistas no assunto foram enviados à Venezuela. Paralelamente, o governo brasileiro amplia os estudos para mais parcerias nas áreas de pesquisas agrícolas, execução de projetos de casas populares e engenharia estratégica – como a fabricação de alumínio.

Para os observadores brasileiros, Chávez deve conter o agravamento da crise pelo menos no campo político. Segundo eles, isso deve ocorrer porque o governo venezuelano não sofre ameaças de uma oposição no Congresso Nacional ou nos estados e prefeituras. Porém, os negociadores advertem: é fundamental barrar o problema do desabastecimento no país.

Sem energia, água e com falta de alguns alimentos nos supermercados, a população é levada à revolta, afirmam os observadores brasileiros. A crise econômica foi gerada, segundo os negociadores, porque em 2002 Chávez não iniciou um processo de industrialização de base no país. O presidente optou em concentrar os investimentos no petróleo e derivados. Mas foi surpreendido com a baixa dos preços.

Para as autoridades venezuelanas, é mais viável importar do que produzir baseado no déficit na oferta de alimentos e de outros bens e serviços. Só na relação com o Brasil o governo Chávez tem um saldo de mais US$ 3 milhões – favoráveis aos brasileiros. Mas com a redução do preço do barril de petróleo no mercado, a política econômica adotada por Chávez se viu fragilizada.

Chávez foi obrigado a anunciar planos de racionamento de energia, principalmente nas grandes cidades, como Caracas e Mérica, e os venezuelanos se queixam da falta de mercadorias básicas, como leite e manteiga nas prateleiras.

Associado a isso, Chávez sofre com a permanente substituição de assessores diretos em cargos-chave. Só na última semana foram três baixas – o vice-presidente que acumulava a função de ministro da Defesa, a titular do Meio Ambiente e o presidente do Banco Central. A permanente troca de nomes leva à descontinuidade de atividades e o aumento da burocracia, afirmam os negociadores brasileiros.

Os observadores brasileiros afirmam que o clima de instabilidade no governo de Chávez costuma ter uma certa frequência. O momento considerado mais crítico, segundo os analistas, foi em abril de 2002. Na ocasião houve uma tentativa de golpe do Estado quando o presidente foi retirado do palácio do governo e levado preso para uma ilha. Depois, ele conseguiu retornar a Caracas acompanhado por uma multidão de seguidores.

A tentativa de golpe, organizada por militares de alta patente e empresários, foi causada pela decisão de Chávez de substituir o comando da PDVSA – que é a estatal venezuelana responsável pela exploração, produção e comercialização de petróleo, principal produto da balança comercial venezuelana.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Villas Bôas Corrêa - Política Brasileira

Baixa o nível da campanha
22/01/2010 - 23:48 | Enviado por: Mauro Santayana

Por Villas-Bôas Corrêa


Desde que acompanho como repórter as campanhas políticas, de 1948 para cá, o nível não é lá o recomendável para uma conversa em casa de família. Mas não há termo de comparação entre o Congresso da fase de ouro da eloquência parlamentar, quando as sessões da Câmara Federal, no Palácio Tiradentes, que hoje agasalha a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, atraíam um público cativo que se espalhava pelas galerias, entupidas nas tardes e noites dos grandes debates, e o pior de todos os tempo que nos envergonha na farra das mordomias, vantagens e privilégios, o campeão dos escândalos desde a mudança da capital para Brasília, ainda em obras. E que nasceu torta com a autonomia que a promoveu a um estado, com governador, Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores e a mania de grandeza que se embaraça em escândalos, até o recorde da distribuição, pelo governador Arruda, de pacotes de notas a secretários, deputados distritais, cupinchas flagrados escondendo a propina nas meias, calças, bolsos, cuecas, além da previdente senhora que levou a mala com chave para guardar o suborno, fechou a porta por precaução, mas esqueceu de desligar a máquina cinematográfica.
Não apenas necessito justificar-me como acho que os leitores que não viveram a época de ouro podem ter alguma interesse pelo testemunho de um dos poucos sobreviventes em que o Rio era a Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil e o Congresso com a mais brilhante equipe de oradores parlamentares. Outros tempos, outros costumes. O Senado, no Palácio Monroe, derrubado pela insensibilidade do presidente general Ernesto Geisel, era uma casa tranquila, com senhores de cabelos brancos ou carecas, que lá uma vez ou outra pegava fogo com grandes debates de oradores como José Américo de Almeida, Góis Monteiro, Mem de Sá.
A semana parlamentar começava na segunda-feira com sessões diárias e algumas extraordinárias até sábado. Jamais faltava quorum: senadores e deputados moravam no Rio com as famílias, e os subsídios eram modestos e impunham o padrão de vida modesta. Muitos parlamentares que depois foram governadores, como Aluisio Alves, Antonio Carlos Magalhães e José Sarney, hospedavam-se com as famílias no hotéis próximos à Câmara na Rua do Catete, Glória, Flamengo.
Mas eram os debates entre governo e oposição que vendiam jornais e lotavam as galerias. Carlos Lacerda foi o maior oradores que conheci, mas o maior discurso que ouvi de pé, na “terra de ninguém”, o espaço entre a Mesa da Câmara e o plenário, ao lado do deputado Gustavo Capanema e do saudoso amigo jornalista Oyama Telles, foi o do deputado Afonso Arinos de Melo Franco, líder da oposição, na crise de agosto, que terminaria com o trágico suicídio do presidente Getulio Vargas.
Tive o bom-senso de recusar as melhores propostas para mudar-me para Brasília. Não imagino como me sentiria frequentando o Congresso do escândalo do Senado ou a Câmara das mordomias, vantagens e mutretas.
A campanha que começa dentro do prazo legal em 3 de abril, antecipada pelo presidente Lula para o lançamento da candidatura da ministra Dilma Rousseff e que rolava morna e semiclandestina com as viagens a pretexto de acompanhar obras do PAC e do Minha Casa Minha Vida, esquentou de repente com o surpreendente destampatório da ministra Dilma Rousseff, que no discurso de terça-feira, em Minas, acusou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) de ter declarado que, se a oposição chegar ao governo, “acabará com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”.
O revide do senador foi às últimas: “Dilma Rousseff mente. Mentiu no passado sobre seu currículo e mente hoje sobre seus adversários. Usa a mentira como método. Aposta na desinformação do povo e abusa da boa-fé do cidadão”. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Nem a pasmaceira da oposição ou o desembaraço de Lula e da candidata na peta que viajam para fiscalizar obras, nem a apatia da oposição, que não conseguiu fechar a chapa. Por ora, certo só o governador José Serra para presidente e o governador Aécio Neves para senador.

Sítio Arqueológico em Pernambuco

Descoberta arqueológica para obra no rio São Francisco em Pernambuco

Um sítio arqueológico com fragmentos cerâmicos e gravuras rupestres foi encontrado em um canteiro de obras da transposição das águas do rio São Francisco, em Custódia (que fica a 350 km de Recife).

Os vestígios, que podem ter 9.000 anos, foram achados em uma região de caatinga conhecida por Lage das Onças, no lote 10 da obra, a 40 km da cidade.

A descoberta surpreendeu especialistas também por sua conexão com outra região brasileira, esta na Paraíba, onde há pegadas de dinossauros. A área em Pernambuco abriga ainda ruínas de um engenho e até cartuchos de fuzil que podem ter ligação com o cangaço.

As gravuras, talhadas em pedra, não se assemelham à forma humana ou animal. Segundo os arqueólogos, os desenhos são de "grafismos puros", que nada representam da vida real.

Os fragmentos cerâmicos foram encontrados a aproximadamente cem metros de distância das gravuras, no exato local onde passará o canal do eixo leste da transposição.

A descoberta paralisou os trabalhos de terraplenagem numa área de aproximadamente 20 mil metros quadrados. Os tratores se afastaram e todo o trabalho precisou ser suspenso para que os arqueólogos pudessem resgatar as peças e iniciar o trabalho de avaliação do valor histórico do sítio e dos vestígios encontrados.

Segundo o Ministério da Integração Nacional, após o recolhimento dos fragmentos, a passagem das máquinas pelo local será retomada. Esse trabalho será monitorado pelos pesquisadores, para evitar que eventuais vestígios não recolhidos sejam destruídos --é um trabalho de monitoramento que pode levar vários meses.

O sítio de gravuras rupestres não será afetado pela obra, dizem os arqueólogos. As pedras --algumas com desenhos em forma de pequenos quadrados e com graduações cromáticas-- estão localizadas fora do eixo, no curso de um riacho não perene, sobre o paredão de uma pequena queda d'água que se forma em tempos de chuva.

Recomendada no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) e patrocinada pelo ministério, a prospecção arqueológica abrange os dois eixos da transposição, os canais leste e norte.

Na primeira fase da pesquisa, que está acontecendo paralelamente à obra, um grupo de arqueólogos ligados à Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco) já notificou cerca de 80 possíveis achados históricos e pré-históricos.

Além dos fragmentos cerâmicos e das gravuras rupestres, eles encontraram objetos e estruturas que remontariam ao período de atividade dos cangaceiros, como as ruínas de um antigo engenho e cartuchos de fuzil datados de 1912 a 1915.

As descobertas foram mapeadas, fotografadas, catalogadas e, quando possível, recolhidas, num processo conhecido como "salvamento".

Em fevereiro, uma nova equipe de especialistas, do Instituto Nacional de Arqueologia, Paleontologia e Ambiente do Semiárido do Nordeste, assumirá o trabalho de prospecção de toda a área do sítio arqueológico. Os vestígios já encontrados serão estudados.

"É uma oportunidade única de pesquisarmos a mais importante rota do Brasil em paleontologia", disse a coordenadora do instituto, a arqueóloga francesa Anne-Marie Pessis.

Segundo ela, a região tem conexão --apresenta as mesma condição de clima e solo-- com o chamado vale dos dinossauros, localizado em Sousa, município paraibano conhecido por suas inúmeras trilhas de pegadas fossilizadas de animais pré-históricos.

O Ministério da Integração Nacional afirma que os sítios serão preservados.
Postado: Fernando

domingo, 17 de janeiro de 2010

O Haiti também é aqui.......

Haiti
Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil
Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

domingo, 10 de janeiro de 2010

Literatura Contemporanea

A literatura contemporânea apresenta grande variedade de estilos. Contos e crônicas aparecem em grande número e são os gêneros mais lidos pelos brasileiros. Na poesia, além do concretismo, surgiram outras tendências vanguardistas, como a poesia práxis, que vincula a palavra e o contexto extralingüístico, não escreve sobre temas e, normalmente, parte da emoção ou de um fato externo.

A poesia social surgiu em 1957, reagiu também contra o concretismo, e é mais voltada aos problemas do país.

Na década de 1970, a poesia marginal denunciava a situação de medo que o país ainda atravessava sob a ditadura militar; seus textos próximos à prosa tinham uma maior preocupação com a expressão do que com a construção.

Ganha força a literatura infanto-juvenil e a de mulheres como Lygia Fagundes Telles e Lygia Bojunga. As crônicas, abordando diversos temas do cotidiano, se apresentam algumas vezes líricas, como as de Rubem Braga, e de humor, como as de Fernando Sabino. Entre os contistas destaca-se Rubem Fonseca e como romancista, Paulo Coelho, um dos maiores fenômenos da literatura brasileira e mundial.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Brasil construirá a 3ª maior Usina Hidrelétrica do mundo

Energia III Continuação

Brasil vai finalmente construir a terceira maior hidrelétrica do mundo


O Brasil se prepara para iniciar a construção da terceira maior hidrelétrica do mundo. Trata-se da hidrelétrica de Belo Monte, localizada no rio Xingu, próximo à cidade de Altamira, oeste do Pará, a 740 quilômetros de Belém.
Belo Monte terá capacidade de gerar o equivalente a 10% do consumo energético brasileiro. A maior hidrelétrica do mundo é chinesa. Chama-se Três Gargantas e foi construída no rio Yang-Tsé, a 900 quilômetros de Xangai. A segunda é Itaipu, responsável pela geração de 20% da energia nacional. Fontes ouvidas pelo iG apostam que a licença ambiental deve ser concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) no próximo mês, fevereiro.
A concessão da licença ambiental é o início do processo de construção de uma obra. Sem ela, não se faz nada. No caso de Belo Monte, no entanto, a licença ambiental é recebida pelos responsáveis como o fim de um processo que é mais do que técnico. É histórico. Será o encerramento de um debate que já dura quase 30 anos e atravessou sete diferentes governos.
Estudos sobre o aproveitamento hidrelétrico da Bacia do Xingu começaram em 1975, na gestão do presidente Ernesto Geisel. Naquele tempo, o nome da usina ainda era outro: Kararaô. O projeto passou por diversas reformulações. Uma delas foi a redução da área alagada, de 1225 km² para 516 km². O tamanho do reservatório da usina equivale as cidades de Fortaleza e do Recife juntas.
Belo Monte foi o principal projeto de governos anteriores. Atualmente é o principal empreendimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula. “Belo Monte é o projeto estratégico mais importante para o futuro próximo do País”, diz o presidente da Eletrobrás, Jose Antonio Muniz Lopes.
As escavações que serão realizadas na obra equivalem ao Canal do Panamá. A paisagem no local será transformada definitivamente. Para ser totalmente concluída a obra deve levar 10 anos. O investimento do projeto está estimado em R$ 16 bilhões – embora o valor real seja definido apenas no leilão, organizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Analistas de mercado acreditam que o valor final possa ser muito mais elevado.
Um projeto de tal porte e complexidade, que ainda envolve áreas de preservação ambiental e indígenas, gera debate inflamado. Em Altamira, cidade mais próxima da hidrelétrica, o assunto mobiliza os moradores.
Entre aqueles que serão diretamente impactados pela obra, donos das casas que serão inundadas, há uma desconfiança em torno das promessas feitas pelo governo e muita incerteza em relação ao que acontecerá em suas vidas. Nada mais natural. De um lado escutam que terão um futuro melhor após o desalojamento. De concreto, no entanto, tudo o que sabem é que serão desalojados.
A lista de temores naturais envolvidos com a megaobra não é pequena, uns relacionados à chegada da mão-de-obra, outros com o destino dos desalojados.
Segundo o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), a construção de Belo Monte vai gerar nos primeiros anos pelo menos 18 mil empregos diretos e cerca de 23 mil indiretos. Mas estima-se que ao todo, o número de empregos indiretos chegue a 75 mil. São quase 100 mil pessoas a mais circulando na região, numa cidade cuja população está na casa dos 100 mil habitantes. Trata-se de um adensamento fenomenal.
No caso dos desalojados, há o receio de que o remanejamento de famílias provoque um desequilíbrio social que possa inclusive aumentar as taxas de criminalidade. Segundo o Rima, 500 casas serão construídas em Altamira e mais 2.500 em Vitória do Xingu. A obra prevê a construção de bairros, alojamentos, cidades e na infraestrutura para acomodar tudo isso.
Quem vive em áreas indígenas próximas a Altamira e na beira do Xingu, onde a vazão do rio diminuirá, teme o efeito da usina sobre o transporte da região, já que o rio dá acesso às aldeias. Há ainda preocupação com a mudança na biodiversidade. Os mais críticos falam no risco de aumento de doenças como a malária.
“O impacto socioambiental na região será enorme”, afirma Antonia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que reúne ONGs como o Instituto Socioambiental Ambiental (ISA) e a Fundação Viver, Produzir, Preservar (FVPP). “A vida das pessoas afetadas pela barragem vai mudar profundamente”.
Processo de licenciamento
Belo Monte já causou demissões no Ibama. Dois dos principais responsáveis pelo licenciamento ambiental pediram demissão no começo de dezembro e alegaram sofrer pressão para a liberação da licença. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu excesso de trabalho para os técnicos. Mas negou haver pressão política.
A data do leilão chegou a ser anunciada para 21 de dezembro, antes da concessão da licença prévia. “Estamos quase mendigando para o Meio Ambiente liberar a autorização para a construção da terceira maior hidrelétrica do mundo”, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, na cerimônia de posse de diretores da Aneel, no último dia 23. O governo esperava ainda para 2009 a liberação da licença.
“O Ministério Público tem a função de zelar pela legalidade do processo de licenciamento ”, diz Rodrigo Timóteo, procurador geral da República em Altamira. O MP já fez várias intervenções judiciais pedindo a suspensão do processo de licenciamento de Belo Monte. “O projeto é muito grande e não podemos deixar passar nenhum furo”.
Capacidade da usina
A potência de uma hidrelétrica é proporcional ao volume e a queda de água. Entre a cidade de Altamira e a foz do Xingu, onde o rio encontra o Amazonas, há uma queda de 90 metros. O rio Xingu tem grande volume de água no primeiro semestre e outro muito baixo no segundo.
No pico, a capacidade de geração de Belo Monte atinge a marca anunciada de 11.233 MV que a posiciona no terceiro lugar em produção mundial. Em função do regime de águas que varia muito, a média anual de produção energética cai a menos da metade, algo como 4.700 MW.
Para um dos coordenadores do Painel de Especialistas, estudo independente que analisa o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), Francisco Hernandez, da USP, o baixo volume de água na seca compromete o desempenho de geração de energia da usina.
Segundo a Eletrobrás, o papel de Belo Monte é estratégico. “Há uma defasagem de dois meses na vazão máxima do Xingu em relação a outros rios da bacia do Paraná, do São Francisco. Nesses dois meses de diferença a produção do Xingu é máxima e dá para guardar água nos outros reservatórios”, diz Muniz Lopes. “A usina pode ficar parada no segundo semestre que já cumpriu sua função”.
De acordo com o governo, a função da hidrelétrica é dar segurança energética ao Brasil. Enquanto não sai do papel, os próximos episódios na longa história de Belo Monte prometem fortes emoções. O primeiro será a concessão da licença prévia. O segundo movimento promete emoções ainda mais fortes, pois se refere ao leilão que definirá a empresa responsável pela construção e operação da usina. Pelo gigantismo da obra, os consórcios interessados se preparam para uma luta renhida.
Fonte Ig.
Professor Fernando : Coordenador da Adesg em Paulo Afonso-Ba, tem Estágio Intensivo em Mobilização Nacional Pela Escola Superior de Guerra e Especialista em Política e Estratégia.

Contato: /cienciashumanasprofessorfernando.blogspot.com

sábado, 2 de janeiro de 2010

O Marxismo em voga

"O enigma do político" reabilita pensamento de Karl Max

Leandro Konder*, Jornal do Brasil


RIO - Na área das ciências sociais, uma das novidades mais surpreendentes é o livro O enigma do político, com o subtítulo Marx contra a política moderna, de autoria de Thamy Pogrebinschi.

A autora mergulha fundo no texto de Karl Marx e, remando sempre contra a corrente, acentua os extraordinários méritos do pensador alemão. Na nossa época atual, não é pouca coisa alguém se dedicar a explorar as qualidades do filósofo socialista.

A ideia central exposta por Pogrebinschi é a de que em Marx se desenvolve uma crítica implacável à economia, tal como ela funciona a partir do modo de produção capitalista. Mas Marx não é hostil a um reconhecimento efetivo e radicalmente crítico dos valores políticos, no plano ontológico.

Segundo a interpretação de Pogrebinschi, há uma questão que nos desafia, a qual Marx teve a lucidez de abordar, porém não resolveu completamente: em que consiste o político, como dimensão da atividade própria do gênero humano.

Quando a lógica de seu pensamento o conduz a enfrentar a questão da eliminação do Estado, fica no ar a dúvida: o que ocupará o lugar do Estado? Marx está consciente de que, extinto o Estado, os seres humanos continuarão a buscar elementos institucionais necessários à existência dos indivíduos nas sociedades.

Nas condições da modernidade, a sociedade civil opõe resistência tanto ao poder do Estado como à dinâmica perversa da associação que lhes é imposta. A divergência entre Marx e os anarquistas tem sido reconhecida como um debate que se prolonga em torno do tempo histórico da revolução: a sociedade será transformada do dia para a noite ou necessitará de todo um processo para transformá-la.

A autora empreende uma minuciosa pesquisa em torno das divergências de Marx com Bakunin. Mas seu trabalho ganha maior densidade quando se ocupa das formas de organização coletiva que os seres humanos vêm adotando em seus esforços para promover as modificações necessárias.

Para chegarem ao imprescindível comunismo, os estudos de Pogrebinschi mostram que o movimento da história surge como associação (Vereinigung) e não como união (Verein).

Por meio dessas categorias, a autora sustenta que Marx, pensando a simultaneidade da permanência e da mudança, resgatou a categoria de superação/conservação do velho Hegel e foi capaz de esclarecer alguns aspectos significativos da concepção das transformações históricas – ao que tudo indica, um tanto graduais – promovidas de acordo com uma categoria proposta pela própria autora do livro: o desvanecimento do Estado.

Em sua origem, o livro foi uma tese de doutorado, elogiada merecidamente pela banca de professores que a julgou. Houve, porém, críticas que devem ser lembradas. É difícil enfrentar o desafio de analisar a teoria marxista do Estado, mantendo-se sistematicamente à margem dos escritos de Antonio Gramsci (e isso numa banca da qual participava o filósofo Carlos Nelson Coutinho, grande conhecedor da obra do marxista italiano).

Os leitores mais experientes também sentirão falta de uma contextualização das ideias de Marx que foram sendo, em alguns momentos, retrabalhadas pelo próprio Marx. A autora brasileira teve a perspicácia de aproveitar a contribuição do jovem Marx, mas não teve a precaução de assinalar pontos importantes das mudanças que Marx realizou no plano teórico.

Há certos aspectos de nossa realidade que, na análise crítica de Pogrebinschi, são um tanto enigmáticas. Marx não os resolve, porém nos ajuda a encarar o enigma da modernidade.


* Filósofo, colunista mensal deste Ideias
Postado por José Fernando