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domingo, 27 de setembro de 2009

eleição 2010

Por Villas-Bôas Corrêa

Com a ausência do presidente Lula, entregue aos muitos compromissos de líder internacional e patrono de Honduras, a crise do escândalo do Congresso avança nos cofres da Viúva em estripulias como a decisão da Mesa Diretora do Senado que, com o descaro de legislar em causa própria, autorizou os seus ilustres e endinheirados membros e os 11 líderes partidários a designar três funcionários comissionados para os respectivos escritórios políticos, em suas bases eleitorais. Cada um, enriquecido com dois assessores técnicos de coisa nenhuma, com salários de R$ 9.900 e um secretário legislativo, com R$ 7.600 mensais para trabalhar na campanha, atendendo eleitores, cavando votos com a gana de quem também cuida dos próprios interesses, pois eleito o chefe terão a mamata garantida, com os reajustes da gratidão.

O miniescândalo foi justificado pela Mesa Diretora com a alegação de que todos os líderes partidários, sem exceção, haviam solicitado o pequeno obséquio para facilitar a reeleição de senadores, inclusive dos senadores de garupa, que nunca viram a cor de um voto e agora terão que correr atrás dos eleitores. E numa temporada em que a ousadia pode custar uma chuva de pedras.

Nem todos os líderes ficaram mudos. Poucos protestaram, alegando que não foram consultados nem concordam com uma decisão que não tem amparo legal. O senador José Agripino (RN), líder do DEM, estrilou: “Não fui consultado e não concordo”.

Um tom abaixo, o senador Aloizio Mercadante (SP), líder do PT, alegou que não foi consultado sobre o assunto.

E, para fechar a ciranda, cirandinha, o líder do PSB, senador Renato Casagrande (ES), ficou entre a malícia e a ingenuidade: “Acho que esse é um assunto que pode parecer que estamos dando passos atrás”. Acha, senador? O que preciso é para que acredite? Mas, vá lá. A campanha ainda não começou para valer, embora as preliminares sejam decisivas para a montagem das chapas, as alianças partidárias e as amiudadas pesquisas que sinalizam as tendências do eleitorado.

Junho é o mês das convenções. A propaganda eleitoral nas emissoras de rádio e nas redes de TV começa em 15 de agosto. E mais a intensa participação da internet. É quando a campanha incendeia até as eleições, em 3 de outubro.

E esta é uma campanha que reserva surpresas, pois nada está decidido. A referência para a especulação é o presidente Lula, que seria o favorito absoluto no caso do terceiro mandato que morreu na praia, com a sua coerente recusa. E daí em seguinte, com os muitos escândalos em que se enroscou como arame farpado enferrujado em esteio de cerca – do caixa 2 com dinheiro escuso para financiar a campanha de candidatos do partido ao mensalão - o Partido dos Trabalhadores perdeu pontos no respeito do presidente. Na hora de escolher candidato, o PT nem tinha um favorito destacado, e a lista dos possíveis era francamente decepcionante.

Lula foi para o tudo ou nada escolhendo, à revelia do PT, a ministra Dilma Rousseff, chefe do Gabinete Civil e com escassa experiência política. E a ministra caminha em sinuosa linha de contradições que, se adivinhadas por Lula, não correria o risco que ainda causa a apreensão do câncer linfático. Submetida com rigor espartano à quimioterapia, com a série de sessões que a obrigavam a viagens quinzenais a São Paulo, dona Dilma pode comemorar a cura com 90% de êxito absoluto e os 10% da cautela dos especialistas.

Mas a candidata e o seu patrono têm cometido erros primários e evitáveis, com a mistificação das viagens pelo país a pretexto de acompanhar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o apêndice do Minha Casa Minha Vida, com a promessa da construção de 1 milhão de moradias populares sem data para a inauguração da milionésima residência. Mas são duas poderosas alavancas de voto, ajudadas pelo Bolsa Escola, o Bolsa Família, o Bolsa Educação e outros programas que atendem às urgentes necessidades fundamentais da imensa mancha da extrema pobreza em todo o país, das favelas nas grandes cidades aos barracos pendurados nos morros do interior.

Não teremos que esperar muito. A campanha para valer não demora a separar o joio dos aventureiros do trigo que o diabo não amassou.

sábado, 26 de setembro de 2009

o simbolismo

Movimento literário que se originou na França, Paris, representou na poesia o espírito positivista e científico da época, surgindo no século XIX em oposição ao romantismo.
Nasceu com a publicação de uma série de poesias, precedendo de algumas décadas o simbolismo. O seu nome vem do Monte Parnaso, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas, uma vez que os seus autores procuravam recuperar os valores estéticos da Antiguidade clássica.
Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pela rima rica e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos. O emprego da linguagem figurada é reduzido, com a valorização do exotismo e da mitologia. Os temas preferidos são os fatos históricos, objetos e paisagens. A descrição visual é o forte da poesia parnasiana, assim como para os românticos são a sonoridade das palavras e dos versos. Os autores parnasianos faziam uma "arte pela arte", pois acreditavam que a arte devia existir por si só, e não por subterfúgios, como o amor, por exemplo.
O primeiro grupo de parnasianos de língua francesa reúne poetas de diversas tendências, mas com um denominador comum: a rejeição ao lirismo como credo. Os principais expoentes são Théophile Gautier (1811-1872), Leconte de Lisle (1818-1894), Théodore de Banville (1823-1891) e José Maria de Heredia (1842-1905), de origem cubana, Sully Prudhomme (1839-1907). Gautier fica famoso ao aplicar a frase “arte pela arte” ao movimento.
[editar]Características gerais

Preciosismo: focaliza-se o detalhe; cada objeto deve singularizar-se, daí as palavras raras e rimas ricas.
Objetividade e impessoalidade: O poeta apresenta o fato, a personagem, as coisas como são e acontecem na realidade, sem deformá-los pela sua maneira pessoal de ver, sentir e pensar. Esta posição combate o exagerado subjetivismo romântico.
Arte Pela Arte: A poesia vale por si mesma, não tem nenhum tipo de compromisso, e justifica por sua beleza. Faz referências ao prosaico, e o texto mostra interesse a coisas pertinentes a todos.
Estética/Culto à forma - Como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo, e por vezes, se mostra incapaz para tal. Aspectos importantes para essa estética perfeita são:
Rimas Ricas: São evitadas palavras da mesma classe gramatical. Há uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofes de quatro versos, porém também muito usada as rimas interpoladas.
Valorização dos Sonetos: É dada preferência para os sonetos, composição dividida em duas estrofes de quatro versos, e duas estrofes de três versos. Revelando, no entanto, a "chave" do texto no último verso.
Metrificação Rigorosa: O número de sílabas poéticas deve ser o mesmo em cada verso, preferencialmente com dez (decassílabos) ou doze sílabas(versos alexandrinos), os mais utilizados no período. Ou apresentar uma simetria constante, exemplo: primeiro verso de dez sílabas, segundo de seis sílabas, terceiro de dez sílabas, quarto com seis sílabas, etc.
Descritivismo: Grande parte da poesia parnasiana é baseada em objetos inertes, sempre optando pelos que exigem uma descrição bem detalhada como "A Estátua", "Vaso Chinês" e "Vaso Grego" de Alberto de Oliveira.
Temática Greco-Romana - A estética é muito valorizada no Parnasianismo, mas mesmo assim, o texto precisa de um conteúdo. A temática abordada pelos parnasianos recupera temas da Antiguidade Clássica, características de sua história e sua mitologia. É bem comum os textos descreverem deuses, heróis, fatos lendários, personagens marcados na história e até mesmo objetos.
Cavalgamento ou encadeamento sintático (enjambement) - Ocorre quando o verso termina quanto à métrica (pois chegou na décima sílaba), mas não terminou quanto à idéia, quanto ao conteúdo, que se encerra no verso de baixo. O verso depende do contexto para ser entendido. Tática para priorizar a métrica e o conjunto de rimas. Como exemplo, este verso de Olavo Bilac:
Cheguei, chegaste. Vinhas fatigada
e triste e triste e fatigado eu vinha.
[editar]Em Portugal

Em Portugal, o movimento não foi muito importante, tendo como autores Gonçalves Crespo (que na verdade é um escritor brasileiro que se casou com uma portuguesa e se mudou para Portugal), João Penha, António Feijó e Cesário Verde.
[editar]No Brasil

No Brasil, o parnasianismo dominou a poesia até a chegada do Modernismo brasileiro. A importância deste movimento no país deve-se não só ao elevado número de poetas, mas também à extensão de sua influência, uma vez que seus princípios estéticos dominaram por muito tempo a vida literária do país, praticamente até o advento do Modernismo em 1922.
Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do Romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.
Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o Parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. O Parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (Sonetos e rimas. 1880) e Teófilo Dias (Fanfarras. 1882), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (Sinfonias. 1883), Alberto de Oliveira (Meridionais. 1884) e Olavo Bilac (Relicário. 1888).
O Parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do Parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pela objetividade, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita (formalismo) quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.
Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a chamada tríade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Antônio Augusto de Lima, Luís Murat e Mário de Lima.
A partir de 1890, o Simbolismo começou a superar o Parnasianismo. O realismo classicizante do Parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao Simbolismo e mesmo ao Modernismo em sua primeira fase.
O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o Simbolismo, o Parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição.
Olavo Bilac
Alberto de Oliveira
Raimundo Correia
Francisca Júlia
Vicente de Carvalho
Luís Delfino
Mário de Lima

domingo, 13 de setembro de 2009

Anjos e demonios

O lado escuro do vaticano
Livro revela como a Igreja Católica ajudou o nazismo e outras ditaduras

Natália Rangel


Em nome da fé
Cena do filme "Anjos e Demônios" no qual cardeais se reúnem para eleger um papa. Segundo Frattini, o único que dispensou os serviços de espionagem foi João XXIII
"Se o papa ordena liquidar alguém na defesa da fé, faz-se isso sem questionamentos. Ele é a voz de Deus e nós somos a mão executora." Assim pensava o cardeal italiano Paluzzo Paluz zi, que no século XVII exerceu o cargo de chefe da Santa Aliança - o temido serviço secreto do Vaticano, na Itália.

E assim raciocinavam também ao menos outros 39 religiosos que atuaram no comando das organizações de espionagem e contraespionagem ligadas ao Estado do Vaticano desde a sua criação em 1566. Fartamente documentadas, as revelações estão detalhadas no livro "A Santa Aliança: Cinco Séculos de Espionagem do Vaticano" (Editora Boitempo), do jornalista e pesquisador Eric Frattini.

Ele embasa as suas afirmações em amplas pesquisas realizadas há pelo menos 12 anos em arquivos oficiais da Igreja de diversos países.

A Santa Aliança foi criada por ordem do papa Pio V com o objetivo de assassinar a rainha Isabel da Inglaterra, que era protestante, para restaurar o catolicismo no país. De lá para cá, 40 pontífices assumiram o comando da instituição e atuaram com mais ou menos rigor junto aos trabalhos de seus espiões. Segundo Frattini, houve um único papa que dispensou categoricamente os serviços desse organismo. Trata-se do papa João XXIII. Ele teve a coragem de enfrentar esse setor do Vaticano, que em seu entendimento trazia mais problemas do que soluções ao pontificado, e por isso ficou historicamente conhecido como o Papa Bom ou o Papa da Bondade.


Uma das atuações mais polêmicas da Santa Aliança se deu durante a Segunda Guerra Mundial. Foi quando entrou em vigor a chamada Operação Convento, que ajudou na fuga de criminosos de guerra nazistas, entre eles o general da SS Hans Fischbock, o tenente-coronel da SS Adolf Eichman e o médico de Auschwitz Josef Mengele. O padre Karlo Petranovic e o bispo Gregori Rozman, notório antissemita, foram bastante ativos nessa época. Na década de 70, o autor menciona a atuação da Aliança na perseguição aos sacerdotes progressistas que defendiam a Teologia da Libertação, entre eles o brasileiro Leonardo Boff, ações que contaram inclusive com o apoio da CIA, agência secreta americana. A Igreja também teria incrementado os fundos do Banco do Vaticano através da venda de armamentos a países em conflito. Frattini dá como exemplo o que se passou durante o pontificado de João Paulo II, o papa João de Deus: proprietário de 58% da companhia armamentista Bellatrix, com sede no Panamá, o banco faturou comercializando mísseis Exocet com o governo ditatorial da Argentina durante a Guerra das Malvinas travada entre o país e a Inglaterra em disputa das Ilhas Malvinas (ou Falklands), na década de 80.


COLABORAÇÃO O padre Petranovic com fugitivos nazistas (acima) e o bispo Rozman com agentes da SS
As conexões internacionais do Vaticano são vastas: o dinheiro obtido com a venda desses mísseis teria sido usado para financiar o sindicato Solidariedade, na Polônia, e diversas ditaduras sul-americanas. Além da Argentina, houve intervenção na ditadura de Anastasio Somoza (Nicarágua), de François Duvalier (Haiti), Maximiliano Hernandez Martínez (El Salvador), entre outras. Depois que Ronald Reagan assumiu o poder nos EUA, a organização passou a contar efetivamente com o apoio da CIA, o que a tornou ainda mais atuante. Entre 1979 e 1982, cinco cardeais envolvidos em um inquérito que apontava irregularidades no Banco do Vaticano morreram em decorrência de motivos diversos - essas mortes teriam sido encomendadas para prevenir que esses religiosos acabassem por revelar segredos da Santa Aliança. Essa teoria conspiratória lembra os romances de Dan Brown, autor de "Anjos e Demônios" e "O Código Da Vinci" ? Claro, com a diferença que os fatos e os personagens não são mera coincidência

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Coisas da Política brasileira

Há resistências ao Palocci até no PT


Por Tales Faria

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci mal saiu absolvido pelo Supremo Tribunal Federal da acusação de ter rompido o sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira, e já é tido como o favorito dentro do PT para disputar a candidatura ao governo de São Paulo. O motivo do favoritismo vem das declarações em favor de Palocci feitas por alguns dirigentes do Campo Majoritário, tendência hegemônica no partido, como o ex-deputado José Dirceu, e da presunção de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também acabará trabalhando por seu ex-ministro, como fez, no plano nacional, para emplacar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Mas a coisa não é tão simples.

O deputado Cândido Vacarezza (SP) é líder do PT na Câmara e integrante do Campo Majoritário, mas não se empolga com Palocci nem com as declarações de Dirceu. Diz apoiar a candidatura do prefeito de Osasco, Emídio de Souza, para governador, e que, antes disso tudo, o PT tem de discutir uma aliança com o PSB, o PCdoB, o PDT e o PR:

– Só depois é que se pode falar em nomes. E se o PSB colocar a candidatura de Ciro Gomes a governador? É uma alternativa forte, que o PT de São Paulo terá de levar em conta. Não podemos partir para uma aliança querendo impor o Palocci, o Emídio ou quem quer que seja. Essa é a questão inicial.

Muito embora Vacarezza não se renda às declarações de Dirceu, aliás seu amigo pessoal, ele admite que pode mudar de opinião se o presidente Lula entrar na decisão.

– Caso o presidente Lula se manifeste em favor da candidatura Palocci, como fez com a ministra Dilma, isso sim terá um peso grande no partido. Mas, por enquanto, Lula só falou em Ciro Gomes, em mais ninguém. A verdade é que este assunto precisa amadurecer, ainda não é o momento – argumenta o líder.

Se a candidatura de Palocci a governador é motivo de polêmica dentro de seu próprio grupo no PT, o Campo Majoritário, imagina fora dele. O secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, é da tendência chamada Articulação de Esquerda. E tem a seguinte avaliação sobre a entrada de Palocci na disputa pela vaga do PT:

– É um fato relevante, porque enterra de vez a tese de que o PT deva apoiar um nome de outro partido. Agora está claro que temos de ter um candidato próprio a governador. Só isso. Porque, o Palocci, em si, não é um bom nome. Os que defendem sua candidatura acham que ele terá o apoio do empresariado e tem um perfil semelhante ao dos tucanos. Eu acho que isso faz justamente com que o Palocci seja um mau nome. Se ele é uma cópia, o eleitor vai preferir os originais do PSDB. A verdade é que o deputado não tem um eleitorado consolidado e ainda sofre vários processos complicados. Na minha avaliação a escolha do nome do PT vai demorar algum tempo, coisa para virar o ano, lá para março ou abril. Teremos que testar nomes mais fortes, como a ex-prefeita Marta Suplicy; o Emídio, de Osasco; o senador Aloizio Mercadante; o deputado Arlindo Chinaglia; o ministro Fernando Haddad... Eu apostaria mais nesses nomes.

– O senhor não citou o senador Eduardo Suplicy – provoco.

E Valter Pomar não se faz de rogado:

– Quem é esse cara? É aquele juiz de futebol que apareceu com um cartão vermelho no plenário do Senado? Falando sério, não vejo o Suplicy como uma opção para cargo executivo. Mas é claro que, se ele apresentar formalmente sua pré-candidatura, o partido terá de avaliar.

De fato, é difícil encontrar na cúpula do PT quem veja com bons olhos a candidatura de Suplicy a governador. O homem pode ter a popularidade que tiver, pode estar nadando de braçada junto à opinião pública. Mas, no PT, não vai bem o Suplicy. Cândido Vacarezza, por exemplo, explica seus motivos:

– Pessoalmente, gosto do Suplicy. Nada tenho contra ele. Mas a sua candidatura seria uma coisa meio fora de foco. Ele não ajudaria a formar uma frente com o PSB, o PCdoB, o PDT e o PR. Na verdade, acho que o Suplicy não junta nem o PT.

Coisas da Política brasileira

Há resistências ao Palocci até no PT


Por Tales Faria

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci mal saiu absolvido pelo Supremo Tribunal Federal da acusação de ter rompido o sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira, e já é tido como o favorito dentro do PT para disputar a candidatura ao governo de São Paulo. O motivo do favoritismo vem das declarações em favor de Palocci feitas por alguns dirigentes do Campo Majoritário, tendência hegemônica no partido, como o ex-deputado José Dirceu, e da presunção de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também acabará trabalhando por seu ex-ministro, como fez, no plano nacional, para emplacar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Mas a coisa não é tão simples.

O deputado Cândido Vacarezza (SP) é líder do PT na Câmara e integrante do Campo Majoritário, mas não se empolga com Palocci nem com as declarações de Dirceu. Diz apoiar a candidatura do prefeito de Osasco, Emídio de Souza, para governador, e que, antes disso tudo, o PT tem de discutir uma aliança com o PSB, o PCdoB, o PDT e o PR:

– Só depois é que se pode falar em nomes. E se o PSB colocar a candidatura de Ciro Gomes a governador? É uma alternativa forte, que o PT de São Paulo terá de levar em conta. Não podemos partir para uma aliança querendo impor o Palocci, o Emídio ou quem quer que seja. Essa é a questão inicial.

Muito embora Vacarezza não se renda às declarações de Dirceu, aliás seu amigo pessoal, ele admite que pode mudar de opinião se o presidente Lula entrar na decisão.

– Caso o presidente Lula se manifeste em favor da candidatura Palocci, como fez com a ministra Dilma, isso sim terá um peso grande no partido. Mas, por enquanto, Lula só falou em Ciro Gomes, em mais ninguém. A verdade é que este assunto precisa amadurecer, ainda não é o momento – argumenta o líder.

Se a candidatura de Palocci a governador é motivo de polêmica dentro de seu próprio grupo no PT, o Campo Majoritário, imagina fora dele. O secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, é da tendência chamada Articulação de Esquerda. E tem a seguinte avaliação sobre a entrada de Palocci na disputa pela vaga do PT:

– É um fato relevante, porque enterra de vez a tese de que o PT deva apoiar um nome de outro partido. Agora está claro que temos de ter um candidato próprio a governador. Só isso. Porque, o Palocci, em si, não é um bom nome. Os que defendem sua candidatura acham que ele terá o apoio do empresariado e tem um perfil semelhante ao dos tucanos. Eu acho que isso faz justamente com que o Palocci seja um mau nome. Se ele é uma cópia, o eleitor vai preferir os originais do PSDB. A verdade é que o deputado não tem um eleitorado consolidado e ainda sofre vários processos complicados. Na minha avaliação a escolha do nome do PT vai demorar algum tempo, coisa para virar o ano, lá para março ou abril. Teremos que testar nomes mais fortes, como a ex-prefeita Marta Suplicy; o Emídio, de Osasco; o senador Aloizio Mercadante; o deputado Arlindo Chinaglia; o ministro Fernando Haddad... Eu apostaria mais nesses nomes.

– O senhor não citou o senador Eduardo Suplicy – provoco.

E Valter Pomar não se faz de rogado:

– Quem é esse cara? É aquele juiz de futebol que apareceu com um cartão vermelho no plenário do Senado? Falando sério, não vejo o Suplicy como uma opção para cargo executivo. Mas é claro que, se ele apresentar formalmente sua pré-candidatura, o partido terá de avaliar.

De fato, é difícil encontrar na cúpula do PT quem veja com bons olhos a candidatura de Suplicy a governador. O homem pode ter a popularidade que tiver, pode estar nadando de braçada junto à opinião pública. Mas, no PT, não vai bem o Suplicy. Cândido Vacarezza, por exemplo, explica seus motivos:

– Pessoalmente, gosto do Suplicy. Nada tenho contra ele. Mas a sua candidatura seria uma coisa meio fora de foco. Ele não ajudaria a formar uma frente com o PSB, o PCdoB, o PDT e o PR. Na verdade, acho que o Suplicy não junta nem o PT.