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domingo, 27 de junho de 2010

A Bomba Nuclear brasileira

José Goldemberg: “O Brasil quer a bomba atômica”
Para o físico, ao defender o direito nuclear do Irã, Lula deixa a porta aberta para fazer a bomba
Peter Moon
O Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1998, durante o governo FHC. O tratado tem 189 signatários. Entre as exceções estão Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte – países detentores de arsenais nucleares. Desde 2008, os Estados Unidos pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional do TNP. Mais restritivo, o protocolo obriga os países a abrir quaisquer instalações suspeitas à inspeção. O Irã não aderiu e construiu uma usina secreta, revelada em 2009. O Brasil se recusa a assinar o protocolo e defende o direito do Irã de ter a energia nuclear – oficialmente apenas para fins pacíficos. Para o físico José Goldemberg, uma autoridade internacional em assuntos de energia, essas são evidências, somadas a outras, de que o Brasil busca a posse de armas nucleares.

ENTREVISTA - JOSÉ GOLDEMBERG

QUEM É
Gaúcho de Santo Ângelo, José Goldemberg, de 82 anos, é físico nuclear


O QUE FEZ
Foi reitor da Universidade de São Paulo (1986-1990), ministro da Educação (1991-1992), secretário federal da Ciência e Tecnologia (1990-1991) e do Meio Ambiente (1992)


PRÊMIOS
Prêmio Volvo do Meio Ambiente (2000) e Prêmio Planeta Azul (2008), o “Nobel” do Meio Ambiente


ÉPOCA – Por que o senhor afirma que o governo Lula vê com simpatia a posse da bomba?
José Goldemberg – Motivos não faltam. Eles vão desde o apoio ao programa nuclear do Irã até as declarações de membros do primeiro escalão, como o vice-presidente José Alencar. Ele defende o desenvolvimento de armas atômicas. Parece uma volta aos tempos da ditadura.


ÉPOCA – Qual era a posição dos militares com relação à construção da bomba?
Goldemberg – O governo Geisel fez o acordo nuclear com a Alemanha. Era caríssimo. Previa a construção de oito reatores com grau crescente de nacionalização. Cobria todas as etapas da tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento e o reprocessamento de urânio. Lê-se na ata de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, em 1975, que o projeto era para fins pacíficos, mas seria mantida aberta a opção militar. Do ponto de vista técnico fazia sentido. Para quem domina o ciclo nuclear pacífico, o militar não é tão diferente. Claramente, em 1975, o governo deixou a porta aberta para fazer armas nucleares.


ÉPOCA – O programa não andou.
Goldemberg – A Alemanha iria repassar a tecnologia de supercentrífugas para enriquecer urânio, mas os EUA vetaram. Em troca, os alemães ofereceram outra tecnologia, experimental e duvidosa, a das centrífugas a jato. Aí veio a crise dos anos 1980, tornando o programa nuclear inviável. Das oito usinas, só Angra 1 saiu do papel (em 1984). No governo Sarney, em 1986, revelou-se a existência do poço cavado pelos militares para testes nucleares subterrâneos na Serra do Cachimbo, no Pará. Em 1988, a nova Constituição proibiu o uso da energia nuclear para fins militares. Em 1990, o governo Collor contrariou os militares ao desativar o programa nuclear do Exército e da Força Aérea. A Marinha continuou enriquecendo urânio, nominalmente para fins pacíficos – e sonhando com o submarino nuclear. Em 1998, o governo Fernando Henrique aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.


ÉPOCA – O que prevê o TNP?
Goldemberg – Foi criado em 1968 para impedir a proliferação de armas nucleares. Sua posse ficou restrita às potências que já as possuíam: EUA, União Soviética, Inglaterra, França e China. O TNP visa o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia nuclear. Até hoje deu certo. Nenhuma bomba foi usada desde 1945. Os americanos cogitaram usar na Guerra da Coreia (1950-1953) e na Indochina, em 1954, para evitar a derrota francesa. A Crise dos Mísseis de 1962 foi o auge da Guerra Fria. Os EUA e a União Soviética tinham 65 mil ogivas. Hoje, EUA e Rússia têm 2 mil cada um.


ÉPOCA – Como é a fiscalização do TNP?
Goldemberg – É feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ela tem acesso às instalações nucleares oficiais dos signatários – não às secretas.


ÉPOCA – Como assim?
Goldemberg – A AIEA só pode fiscalizar instalações oficiais. O TNP não permite à AIEA investigar instalações suspeitas. Os EUA temiam o desenvolvimento de programas nucleares secretos no Iraque, no Irã e na Coreia do Norte. Em 1997, criou-se o Protocolo Adicional do TNP. Ele autoriza inspecionar qualquer instalação passível de uso nuclear – como o reator secreto do Irã, revelado em 2009.


ÉPOCA – O Brasil apoia o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. Há relação com o protocolo?
Goldemberg – Claro. Desde 2008, os EUA pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional. O governo se recusa. O Irã de hoje poderá ser o Brasil de amanhã.


ÉPOCA – O secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Guimarães, diz que “foi um erro assinar o TNP” porque a Constituição brasileira já proíbe o uso militar do átomo.
Goldemberg – Ele tem razão. Mas, se um dia algum governo decidir mudar a Constituição, não abrirá nenhum precedente. A Constituição de 1988 é a oitava desde a Independência e acumula 62 emendas. Em comparação, os EUA têm a mesma Constituição desde 1776, só com 27 emendas, e a Inglaterra nem Constituição escrita tem. Quando pressionam Brasília a assinar o protocolo, as potências devem estar olhando com atenção nosso histórico constitucional.


”O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria
intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania”


ÉPOCA – Ter o submarino nuclear na defesa do pré-sal é o argumento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, contra a assinatura do protocolo.
Goldemberg – Não assinar o protocolo pode tornar o Brasil alvo de sanções internacionais, como as impostas ao Irã pelas Nações Unidas (ONU).


ÉPOCA – Nossa economia é muito maior e mais diversificada que a do Irã. Neste cenário, qual sanção teria efeito contra o Brasil?
Goldemberg – A ONU pode congelar os bens e as contas bancárias brasileiras no exterior, paralisar o comércio externo e barrar transferências de tecnologia. Se nossa economia é maior e estamos mais integrados ao mundo, isso nos torna mais vulneráveis às sanções, não menos.


ÉPOCA – O vice-presidente José Alencar disse o seguinte: “Arma nuclear usada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país com 15.000 quilômetros de fronteiras e um mar territorial com petróleo na camada pré-sal. Dominamos a tecnologia nuclear. Temos de avançar nisso aí”.
Goldemberg – Alencar pode dizer o que quiser. Ele foi eleito, não é um político nomeado. Mas não concorrerá às eleições. Está doente e no fim da vida. O que me preocupa é ver o ministro da Defesa e o secretário de Assuntos Estratégicos, auxiliares diretos do presidente da República, se manifestarem contra o Protocolo Adicional. Em nenhum momento o presidente veio a público desautorizá-los. O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania. O Brasil quer a bomba.


ÉPOCA – Alencar vê a posse da bomba como uma via de acesso ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele citou o exemplo do Paquistão, um país pobre, mas com assento em vários organismos internacionais.
Goldemberg – Não me parece que passe pela cabeça de alguém de bom-senso ceder ao Paquistão uma vaga no Conselho de Segurança. O Paquistão é uma fonte de preocupação. Está em guerra civil. Suas instituições estão desmoronando e parte do território caiu sob controle da guerrilha islâmica e da rede Al Qaeda. Se o Paquistão deixar de existir, quem será o primeiro a tentar pôr as mãos numa de suas bombas? Osama Bin Laden.


ÉPOCA – Temos gente para fazer a bomba?
Goldemberg – Sim, muita. A tecnologia não é nova. Havendo vontade governamental e recursos, bastaria alguns anos.


ÉPOCA – Não basta ter a bomba. É preciso meios de lançá-la.
Goldemberg – O governo retomou o projeto de lançador de satélites. Se existisse, poderia levar ogivas.

Amada amante

Esse é o título do livro que está sendo lançado pela Editora Best-Seller, da terapeuta americana Rona B. Subotnik. O assunto, como já deu para perceber, é a situação da amante do homem casado. Há quem se envolva com eles pensando apenas em diversão e prazer. Mas certamente a maioria das mulheres tem esperança de que um dia o caso clandestino vai virar oficial.

Tenho amigas que, dizem, jamais se envolveriam com homens casados. Outras já se envolveram, se apaixonaram – e a maioria saiu com saldo negativo da experiência. Depois ficaram bem – a fila anda! -, mas passaram por momentos muito ruins, que as deixaram com a autoestima no pé.

Por mais que o tempo passe, analisa Rona, as amantes ainda são vistas como “destruidoras de lares” – sem que se dê conta de que, antes de elas aparecerem o relacionamento já estava destruído. Mas não é da questão moral que a autora quer se ocupar. Seu foco é essa mulher, que às vezes se apaixona por um homem que ela não sabe que é casado, ou às vezes sabe, e que transforma sua vida em nome de um futuro no qual ela acredita desacreditando. A “outra” (que é título de um outro livro de que já falamos aqui no blog) é reconhecida neste livro como alguém que ama e tem conflitos e tenta ensinar as leitoras a lidar com os desdobramentos do caso em que se meteram. Subotnik convida as mulheres que são amantes de homens casados a avaliar se esse relacionamento vale a pena, se ele tem futuro.

Em 355 páginas, ela conta histórias que testemunhou. Impressiona a semelhança de estrutura entre elas. O passo a passo do relacionamento parece, muitas vezes, seguir um roteiro, assim como são bem parecidos os sentimentos envolvidos – e a separação que quase sempre marca os desfechos (às vezes tão demorada que prejudica toda uma vida).

A terapeuta também aplica pequenos testes, que podem ajudar a nortear o pensamento das leitoras sobre a situação real que vivem. Segue o trecho de um deles:

Como reconhecer o parceiro que não merece o risco

1. Ele expressa raiva de maneira não agressiva e analisa a situação para tentar compreendê-la
OU
fica furioso, atira coisas e a machuca?

2. Ele parece ter um temperamento equilibrado
OU
é instável, um dia está zangado e nos outros é carinhoso?

3. Você se sente à vontade com ele
OU
fica sempre ansiosa porque não sabe o que esperar?

4. Ele presta atenção à sua opinião, tenta entendê-la e depois vocês chegam a um acordo
OU
se expressa sem dar atenção aos seus desejos e depois age de acordo com as próprias decisões?

5. Quando alguma coisa acontece a você, ou a vocês dois, que o deixa irritado, ele leva em consideração a maneira com que você está sendo afetada
OU
se concentra apenas na própria reação?

6. Ele trata as mulheres, em geral, com respeito
OU
costuma apreciá-las por meio de palavras e do comportamento?

7. Ele ouve o que você diz, tenta ajudar e se preocupa enquanto você lida com a situação
OU
desconsidera e minimiza suas necessidades emocionais?

8. Ele aceita a responsabilidade pelos erros que comete
OU
tenta jogar a culpa em outra pessoa?

9. Essa é a primeira vez que ele traiu a esposa ou parceira
OU
tem um histórico de infidelidade em todos os relacionamentos anteriores?

10. Você está segura de que ele não passará para você uma doenção sexualmente transmissível
OU
no íntimo, você se preocupa com a possibilidade de ele estar fazendo sexo sem proteção com outra pessoa?

Quanto mais se escolhe a segunda parte das perguntas, menos esse homem vale a pena. Acredito que, apesar de simples, o teste possa ajudar mulheres que estão bastante perdidas no meio de um caso que significa paixão aliada a proibição, alegria aliada a sofrimento. Mas a verdade é que as perguntas servem para qualquer mulher, em qualquer relacionamento – com homens solteiros e casados – com elas mesmas.

Um livro como este ou aqueles escritos para mulheres com maridos ou namorados têm, no fundo, a mesma mensagem: valorize-se. Nenhum homem, por melhor que seja, merece seu amor mais do que você própria.

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A Pedofília

Bento XVI lança dura crítica contra autoridades belgas
Papa chama de "lamentáveis" ações da polícia durante investigações sobre casos de pedofilia
Numa rara censura às ações de uma nação soberana, o papa Bento XVI qualificou de "lamentáveis e surpreendentes", neste domingo, as batidas que as autoridades belgas realizaram em propriedades da Igreja Católica naquele país, no curso de investigações sobre pedofilia. As críticas constam de uma carta enviada ao primaz da Bélgica, André-Joseph Léonard.

Na semana passada, a polícia belga deteve bispos por nove horas, confiscou computadores e até danificou as tumbas de dois cardeais em busca de documentos que pudessem esclarecer detalhes de casos de abuso sexual cometidos por padres contra menores. A Bélgica é um dos países europeus onde o clamor contra clérigos acusados de pedofilia se tornou mais duro.

No sábado, o cardeal Tarcísio Bertone, secretário de estado do Vaticano, já havia criticado duramente a justiça belga. "Coisas desse tipo não ocorriam nem mesmo nos países da União Soviética", disse ele em referência à violação dos túmulos.

Em sua carta, Bento XVI deplorou os métodos usados pelos policiais e afirmou que quaisquer investigações devem ser feitas "com respeito à recíproca especificidade e autonomia" das leis laicas e eclesiásticas.

Ao mesmo tempo, o papa recordou a Léonard que a Igreja deve colaborar com a Justiça e "rechaçar tudo que se interponha entre ela e sua nobre tarefa".