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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


Religiões Gerais

"…Arriscam-se muito aqueles que negligenciam o fator religioso em suas análises das questões contemporâneas."
om essa frase Peter Berger, sociólogo norte-americano, terminou sua palestra: A secularização do mundo: uma visão global. No seu texto, o autor levanta vários questionamentos sobre a dificuldade que o mundo ocidental teve de conviver com o pluralismo e tolerância religiosa, no século 20 (1). Após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, essas preocupações parecem ter mais sentido, visto que hoje os fenômenos religiosos foram colocados na pauta da mídia mundial.

Lugares da Modernidade: um Shopping Center
Contrariamente às predições dos sociólogos da religião das décadas de 50 e 60 que apostaram num processo de decadência da religião, fruto do avanço da técnica e da Modernidade, parece que assistimos a uma revitalização religiosa através de fenômenos, como o avanço do fundamentalismo, a difusão do pluralismo religioso e a fragilidade das instituições religiosas (Igrejas), como únicas portadoras de certezas existenciais.
RUPTURAS E TRANSFORMAÇÕES
O ponto de partida deste texto apóia-se no fato de que as relações sociais no mundo são diversas e plurais. Por quê? Porque, no passado, deu-se uma ruptura religiosa com o mundo medieval, o qual tinha como centro a teologia cristã, que, a partir de uma única interpretação da vida e das relações sociais, comandava a estrutura social. A ruptura dessa centralização recebeu o nome de Modernidade, que tem seu marco teórico a partir do século 16. A Modernidade ocidental é um fenômeno histórico complexo e de longa duração. Sua descrição e análise não cabem aqui, mas podemos mencionar como o campo religioso foi transformado.
A Modernidade representou para o mundo ocidental uma verdadeira revolução na maneira de a pessoa perceber-se diante do mundo, de sentir, de amar, de relacionar-se e organizar as suas relações sociais. No decorrer dos quatro séculos seguintes, a religião perderia sua hegemonia na sociedade, seja na esfera política seja na social, cultural e econômica. A religião perdeu sua posição central no âmbito público, no sentido em que se estabelecia como princípio ordenador da tradição e da cultura, para ser reduzida à esfera privada. Essa passagem foi denominada pelos estudiosos de secularização.

Lugares da Modernidade: um dos pavilhões da Expo 2000 de Lisboa
A secularização é uma maneira de compreender como a religião foi afetada pela Modernidade, predominando como leitura sociológica na maior parte do século 20. A categoria secularização ajudou as instituições religiosas a compreenderem suas relações com a sociedade, seus problemas internos de vocações e a maneira como a modernização econômica as afetava. A secularização partia do princípio de que, na medida em que a ciência e a tecnologia avançavam, substituiriam a religião como explicação do mundo. Difundiu-se no final do século 19 a promessa de que o progresso, apoiado na revolução científica, traria o bem-estar e a felicidade para todos, dando o sentido último à existência humana.
O século 20 acabou, a técnica e a ciência avançaram revolucionando a medicina, as comunicações e a indústria bélica, mas a brecha entre países ricos e pobres aprofundou-se, a exclusão de grandes porções da humanidade dos benefícios econômicos, sociais e culturais estabeleceu-se como forma de organização social. Portanto, a promessa não foi cumprida. Além disso, longe de a religião ser banida do âmbito público, ela parece ter ganho um revigoramento, um reencantamento do religioso e do mágico, com o ressurgir de movimentos religiosos que trazem novas formas de expressão, inquietações e preocupações, incorporando ou rejeitando a nova fase do capitalismo, seja na sua face econômica (neo-liberalismo), seja na sua face sociocultural (globalização).
OS IMPACTOS NA ESFERA RELIGIOSA
Para tentar compreender, minimamente, o mundo religioso atual, faz-se necessário perceber quais são as mudanças profundas que a Modernidade provocou na esfera religiosa. A primeira que podemos destacar é a capacidade de livre escolha que o homem e mulher contemporâneos têm. A Modernidade trouxe consigo o valor psicológico e social de escolher, que consolidou a formação do indivíduo, independentemente da tradição e da cultura como processos impostos. Escolher passou a significar a oportunidade de exercer a liberdade de poder optar entre diversas alternativas, pressupondo liberdade também na oferta.

Catedral de Milão, símbolo do mundo medieval
Nesse sentido, a Reforma Protestante (século 16) representou uma nova experiência religiosa cristã alternativa ao catolicismo, enfatizando, entre outras, a possibilidade de construção da subjetividade do indivíduo moderno alicerçada na liberdade de consciência. A partir disso, as certezas do mundo medieval passam a ser subjetivas no mundo moderno: do mesmo modo que, no mundo econômico, o mercado firma-se com a liberdade de oferta e de demanda, no plano religioso emergem alternativas, dando passo ao pluralismo religioso. Essa realidade mudou as relações religiosas entre os fiéis crentes e suas instituições, com a possibilidade de os fiéis serem protagonistas da sua opção religiosa, mais do que receptores da mesma.
A escolha da própria religião será, então, orientada por critérios diferentes da tradição e da cultura, como o conforto, o bem-estar e a conveniência. Assim, vemos que a religião não é mais, nos dias de hoje, uma imposição social nem uma herança cultural. Isso acontece mesmo nos povos latino-americanos, nos quais a religião continua sendo um dado importante, mas não decisivo, sobretudo nos grandes centros urbanos. Merece ser destacado que, se o indivíduo moderno tem a oportunidade de escolher sua religião, pode também escolher não ter religião nenhuma, ou ter uma religiosidade fora de um sistema oficial de religião (Igreja). Essa última atitude muda radicalmente a centralidade das instituições, pois temos pessoas religiosas sem instituição, trazendo novos desafios para os grandes sistemas religiosos contemporâneos.
PANORAMA RELIGIOSO NO NOVO MILÊNIO
O século 20 caracterizou-se pela sua radicalidade nos processos iniciados na Modernidade. A opção pessoal, valor fundamental defendido pelo individualismo liberal, manifestou-se na sua máxima expressão ao transformar o fiel em consumidor. Ser fiel, de qualquer denominação religiosa, teria como princípio estar ligado a uma série de valores éticos, acreditar no sentido da vida, da felicidade, do além, na explicação última da existência humana, etc.. No mercado religioso, ao ser o fiel transformado em consumidor de bens religiosos, deixa de ser um crente ou fiel de uma instituição e de seus princípios, para se transformar num mero consumidor da religião, satisfazendo suas necessidades pessoais do tipo emocional, existencial ou econômico.
Os fiéis consumidores procuram a religião para satisfazer alguma carência, não mais para dar sentido a sua existência. Essa realidade, que pode ser observada como fenômeno nas grandes religiões de salvação (budismo, islamismo, cristianismo, judaísmo), representa uma realidade complexa e uma grande interpelação para as instituições. Hoje se fala em privatização da religião porque as pessoas fazem da religião uma escolha particular e não mais uma opção dentro de uma coletividade. Como podemos observar, a experiência humana vai-se transformando, desde a Modernidade até a segunda metade do século 20, por alguns chamada de pós-Modernidade, para outros de globalização.

Acima, sincretismo nos ritos afro-brasileiros
Seja qual for o nome, uma coisa é certa: estamos em época de profundas mudanças. Por conta dos avanços tecnológicos, percebem-se transformações na concepção do tempo, que de cronológico passou para simultâneo (tempo real) e no espaço, que de concentrado e localizado, passou a ser desterritorializado. Ambos, tempo e espaço, repercutem nas relações sociais e, consequentemente, na religião. Assim, segundo alguns estudiosos, vivemos na Sociedade da Informação, pois seu centro de produção é a informação distribuída pelas grandes redes de comunicação. Na Sociedade da Informação, a religião não ficará à margem dos processos de mudança, portanto, a forma de se referir a Deus também mudará, a maneira de pregar as certezas e as convenções tradicionais será alterada, revelando crises institucionais. A partir disso, irá se falar de decadência religiosa, mas não da religiosidade.
Nesse sentido, o homem e a mulher modernos não colocam mais como elemento fundamental da sua ação pessoal o "ter sentido na vida", muito pelo contrário, eles podem dizer a si mesmos: "eu posso viver sem sentido na minha vida"; mais ainda: "posso encontrar sentido na minha vida em outra parte, que não seja a religião". Se a função fundamental da religião é dar sentido teológico a existência do ser humano, podemos perguntar: qual é seu papel substancial diante de um mundo que pode viver sem Deus, contra Ele, ou sem Ele? É nesse ponto que as instituições religiosas entram em crise. Primeiro, porque perdem sua função social de dar sentido à existência humana.
Depois, concorrem entre si e com o mundo contemporâneo de consumo para angariar os poucos fiéis que podem arrebanhar. Soma-se a isso a constatação de que muitas pessoas se reconhecem como religiosas, mas sem ligação institucional, proclamando que é possível viver com um sentido religioso, mas sem pertença a uma instituição determinada. Vemos surgirem, em diferentes regiões do planeta, religiosidade sem religião, o sagrado sem referência institucional, uma espiritualidade sem contexto eclesial. Observamos uma religiosidade que retira os mais diversos elementos simbólicos das tradições religiosas e os mistura, recriando simbolicamente novas experiências; em todo canto emerge o sagrado e o reencantamento do mundo, pela magia e as referências esotéricas.
Nos grandes centros urbanos e nas metrópoles, não é difícil encontrar locais de consumo religioso, como qualquer outro produto cultural. Observa-se uma nítida emergência de religiosidades diversas com expressões diferenciadas, segundo a classe social e a origem étnica. Na França, por exemplo, são chamados de novas seitas os grupos que parecem religiosos, mas que são mais de cunho filantrópico ou de solidariedade, outros são quase religiosos, e outros não se assumem como religiosos, mas o parecem. Outra característica do novo milênio é que as pessoas podem encontrar diversas formas de dar sentido a sua vida, sacralizando o que anteriormente era tido como profano, como a ciência, a tecnologia, a ideologia.
Assim, o indivíduo moderno encontra um sentido existencial no consumo e na racionalidade. Ele, porém, se coloca também na opção de não ter um sentido religioso. Opção essa chamada, convencionalmente, de ateísmo. O ateísmo tem sido interpretado como decorrência da secularização e do encantamento racional. É importante ressalvar que o ateísmo não é um fenômeno homogêneo e em algumas áreas geográficas (como o Terceiro Mundo) é inexpressivo, demograficamente falando. Como fenômeno social, concentra-se mais nas camadas intelectualizadas dos países ricos e em algumas dos pobres. De qualquer maneira, o ateísmo é um item a mais nas agendas das instituições religiosas.
DA BANALIZAÇÃO AO FUNDAMENTALISMO
O século 21 começa com a possibilidade de viver o religioso fora do institucional, o sagrado longe do institucional, a espiritualidade distante dos rituais convencionais, os valores éticos afastados de sistemas religiosos e tradicionais. Assim, a desinstitucionalização e os sincretismos místicos formam parte do pluralismo religioso vigente. O exemplo que mais ilustra essa dinâmica é a New Age (Nova Era), caracterizada pelos especialistas como uma espiritualidade difusa que dilui experiências de sensibilidade planetária com exigências éticas; que mistura rituais convencionais cristãos com terapias psicológicas e técnicas de auto-ajuda, que proclama direitos ecológicos com expressões holísticas de harmonia individual e coletiva.

O fundamentalismo religioso, às vezes, torna-se militar
Essa corrente de espiritualidade toma corpo em cada latitude, mas seu denominador comum é a busca do religioso sem referências institucionais. A agilidade da New Age em colocar à disposição símbolos e rituais, talvez, possa ser explicada pelo fato de que, na Sociedade da Informação, os fluxos comunicacionais são rápidos e desterritorializados. Com isso, a New Age estaria em sintonia com a facilidade de trocar informação como o mundo oriental. Para alguns estudiosos, a influência da New Age configuraria a orientalização do Ocidente.
Além disso, os elementos simbólicos que são retirados das diversas religiões não levam em conta seus contextos sociais e históricos, consequentemente, há um processo acelerado de descontextualização das referências sagradas, portanto, a sua banalização. Por exemplo, como poderia ser definida uma reunião, realizada num bairro de classe média da grande São Paulo, que começa com mantras hindus, continua com reflexões de auto-ajuda e termina com rezas católicas, tudo num clima ambientado entre símbolos do Candomblé?
Se, por um lado, observamos a emergência de grupos religiosos sem referência institucional, realizando misturas diversas, de outro lado, vemos a existência de grupos que radicalizam sua pertença religiosa, autoproclamando-se defensores da ortodoxia da suas doutrinas e dos seus rituais simbólicos, isto é, o fundamentalismo religioso. Em sua essência, o fundamentalismo é uma maneira de se posicionar no mundo. Essa atitude caracteriza-se por desenvolver um modo autoritário e intolerante, impondo-se compulsivamente e não admitindo o meio termo.
O olhar fundamentalista é sempre uma maneira unívoca, unidirecional e unidimensional de ver o mundo. As pessoas fundamentalistas não aceitam, por princípio, aquilo que seja diferente daquilo que elas compreendem como componente insubstituível da sua verdade e das suas origens. O fundamentalismo está relacionado a correntes de pensamento tradicionalistas e conservadoras, nas quais seus membros são invariavelmente reativos e reacionários. Se tivéssemos que sintetizar os elementos constitutivos do fundamentalismo religioso, poderíamos resumi-los em três.
O primeiro elemento diz respeito aos princípios universais exclusivos sobre o bem e o mal, que se tornam referência absoluta na concepção de mundo de seus adeptos. O segundo elemento é a ética religiosa que perpassa a vida cotidiana de seus fiéis, sendo o parâmetro que permite ter um instrumento de controle social, tanto de corpos quanto de consciências, por parte de grupos e estados que sustentam o poder. O terceiro elemento é ter uma única fonte de interpretação do livro sagrado, o qual contém leis e princípios divinos.
Essa interpretação será concebida como a única interpretação intermediária, entre Deus e a humanidade, tornando-se fonte de poder para os indivíduos ou grupos que se atribuem o direito de interpretação. As religiões que possuem um livro santo são as que têm mais propensão para se tornarem fundamentalistas. Dentre as características do fundamentalismo, encontramos uma insistente reação à Modernidade e sua racionalidade, que foi imposta pelos países ocidentais às mais diversas culturas do planeta.
O fundamentalismo desenvolve-se em ambientes tradicionais e conservadores que vão desde os judeus ultra-ortodoxos até os campos de treinamento de Bin Laden. As manifestações fundamentalistas são contraculturais, isto é, tudo aquilo que seja cultura moderna é rejeitado em nome de Deus, da Bíblia ou do Alcorão. Os fundamentalistas dividem-se entre os valores do humanismo secular e seus benefícios e a preocupação visceral sobre o risco de desagregação que os mesmos trazem a suas crenças.
Diante de um Estado que impõe seu pensamento liberal e seus valores seculares, a reação dos grupos fundamentalistas é a de violência física e simbólica. Basta lembrar a revolta da população de Kaduna, Nigéria, contra a organização do concurso de Miss Universo, em novembro de 2002.
Outra característica do fundamentalismo é a visão maniqueísta (divide o mundo entre o bem e o mal) e apocalíptica que seus membros têm da vida, reagindo com tendências satanizadoras e antidemocráticas contra seus adversários.

O desafio do pluralismo religioso
Freqüentemente, essas reações são alimentadas por um espírito de conspiração contra a cultura moderna, que suscita sentimentos de ameaça perante um futuro sem religião e de banalização dos valores éticos e morais. O fundamentalismo, como ideologia política, pode ser encontrada, também, nos discursos do presidente norte-americano George Bush, na sua visita à China em 2002, ao classificar de satânico Saddam Hussein, e de eixo do mal as relações internacionais que esse sustenta.
Historicamente, a palavra fundamentalismo foi utilizada, primeiramente, nos EUA para identificar os grupos do pentecostalismo protestante, no final do século 19.
Além do pentecostalismo radical, hoje nos EUA encontramos a Maioria Moral, um grupo que nasce como reação às migrações constantes de latinos e asiáticos, que tem suas raízes no fascismo e pode ser localizado na ultradireita estadunidense. Já o fundamentalismo no Oriente e Oriente Médio é associado ao Islã e aos judeus ultra-ortodoxos, sendo essa generalização uma ligação equivocada. O fundamentalismo tem na incerteza criada pelo pluralismo religioso, manifestada nos mais diversos grupos de orientalização e privatização religiosa, seus inimigos potenciais.
Soma-se a isso a relação do mundo moderno com a religião, que é mediada pelos meios de comunicação e a telemática, criando uma cultura alicerçada no espetáculo e no simulacro. Assim, a experiência religiosa é submetida também à exigência de novidade, de hiperestímulo, gerando crentes que procuram a religião só para consumir, como já assinalamos anteriormente. Por isso, e por outros fatores, observamos que no mundo atual o trânsito religioso parece ser a maneira como nossos contemporâneos ligam-se às religiões institucionais. Na procura de satisfazer suas necessidades, curiosidades e desejos de experimentar algo novo, tornam-se consumidores religiosos neste grande mercado dos sentidos que virou a religião.
OS DESAFIOS RELIGIOSOS DO SÉCULO XXI
Sem dúvida, os desafios religiosos e espirituais do novo milênio irão se mover, quem sabe, de uma maneira pendular, entre expressões difusas, misturadas e sincréticas, tipo New Age, e fundamentalismos acirrados que levantam suas bandeiras bélicas e de terror. O debate das futuras gerações parece que se cristalizará entre a banalização de valores e rituais e a defesa fundamentalista dos mesmos. Para as instituições religiosas, esse desafio torna-se numa fonte de debate, na busca de estratégias e de soluções diante do mercado religioso e de consumo.
Para o crente e fiel religioso, esse mesmo panorama vai se transformar em fonte de angústia e de incerteza, sendo seu maior desafio transitar entre experiências fluidas que lhe dão conforto e bem-estar, reduzindo-o a consumidor religioso e, (ou) fundamentalismos que lhe dão certezas absolutas e seguranças escatológicas, levando-o a uma visão acética da religião. Seja como for, o maior desafio do século 21, que parece delinear-se como místico, é conviver com o pluralismo religioso. Às novas gerações, cabe diminuir as distâncias ideológicas, evitando a manipulação política das razões religiosas em função da guerra e educando-se na tolerância e na aceitação do diferente.

Postado pelo professor Fernando
Nota (1) Berger, Peter. The Desecularization of the World: A Global Overview. MI. USA. Wm. B. Erdmans Publishing Company, Grand Rapids, 1999. Brenda Carranza é formada em Teologia e mestre em Sociologia, doutoranda em Ciências Sociais.
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