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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012


Lições da crise ainda não foram suficientes, diz Merkel em Davos

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Ao discursar na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, a chanceler (premiê) da Alemanha, Angela Merkel, disse que os países desenvolvidos ainda não aprenderam "lições suficientes" da crise financeira de 2008, mas que a turbulência na zona do euro não afetará as ambições do "projeto europeu" --descartando as ameaças de ruptura da moeda única e da própria União Europeia (UE).
Destacando a unidade dos 27 países que integram o bloco e dos 17 que dividem o euro, Merkel frisou que a crise teve início nos EUA, em 2008, e que a Europa ainda amarga seus efeitos.
Vincenzo Pinto/France Presse
Angela Merkel disse na abertura do Fórum Econômico Mundial que ainda há lições para serem aprendidas após a crise
Angela Merkel disse na abertura do Fórum Econômico Mundial que ainda há lições para serem aprendidas
Quanto à pressão da comunidade internacional sobre o continente, a chanceler deixou claro que o mundo desenvolvido ainda precisa melhorar suas medidas anticrise.
"Frequentemente nos perguntam que lições aprendemos a partir da crise de 2008 e se foram suficientes. Sendo realista, ou até pessimista, creio que a única resposta é que ainda não aprendemos lições suficientes", disse.
A alemã comentou ainda a falta de regulação nos sistema financeiro internacional, identificada por ela como "um dos principais problemas que nos trouxe até essa crise", e que a falta de uma resposta conclusiva às negociações em Doha mostram que o mundo ainda mantém medidas muito protecionistas.
Embora os países que integram o G20 tenham feito "alguns progressos", ainda é necessário avançar para tornar o sistema financeiro mais seguro, avaliou a alemã, que ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, é tida como a grande articuladora da crise que abala a zona do euro.
"Vamos ousar ser ainda mais 'europeus' em 2012. Não podemos deixar a crise abalar o projeto de paz, de integração e de cooperação que é a União Europeia", indicou.
ALERTA CONTRA CONDESCENDÊNCIA
Também nesta quarta-feira, foram divulgados trechos de uma entrevista da chanceler alemã que deve ser publicada por um grupo de jornais internacionais, na qual ela alerta contra a condescendência em relação aos países endividados.
No texto, ela argumenta contra a ideia de uma Alemanha dominadora na Europa, mas adverte que "ser apenas amável uns com os outros" é um desserviço para a Europa.
Merkel afirmou que leva muito a sério a "infundada" percepção de que a Alemanha tenta impor seus pontos de vista a seus sócios europeus.
Susana Vera/Reuters - 8.dez.2011
"UE é de todos, não da Alemanha. Fora Merkel", diz cartaz em protesto na Espanha ainda no ano passado
"UE é de todos, não da Alemanha. Fora Merkel", diz cartaz em protesto na Espanha ainda no fim do ano passado
"A Alemanha é um importante país europeu e assume sua responsabilidade como tal", afirmou. "Contudo, nenhum país pode arcar com a dívida de outro", disse.
Ela voltou a responsabilizar os países em dificuldades pela crise e pediu para que estes intensifiquem suas reformas com a finalidade de sanear suas finanças públicas.
Os jornais europeus onde a entrevista deve ser publicada são: "Süddeutsche Zeitung" (Alemanha), "Le Monde" (França), "El País" (Espanha), "The Guardian" (Reino Unido), "La Stampa" (Itália) e "Gazeta Wyborcza" (Polônia).
FMI
Mais cedo, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde declarou em Paris que os credores públicos de Grécia terão que contribuir com um maior "esforço financeiro" para aliviar a dívida do país, caso o acordo que os bancos estão negociando com o governo grego seja insuficiente.
"Caso o nível da dívida grega não seja suficientemente renegociado pelos credores privados, os credores públicos terão que participar com um maior esforço financeiro", disse Lagarde, ao responder a uma pergunta sobre uma eventual desvalorização dos títulos da dívida grega em poder do Banco Central Europeu (BCE).
Já na noite de terça-feira (23), em entrevista a um canal francês, Christine Lagarde descartou a possibilidade de que a Grécia quebre, enquanto continuam as negociações entre Atenas e seus credores privados para eliminar uma parte de sua dívida pública.
"Não é uma coisa que se possa conceber", declarou a chefe do FMI ao ser questionada sobre a eventualidade de uma quebra da Grécia no jornal da emissora de TV francesa France 2.
"É necessário atingir um acordo" com os bancos, afirmou, referindo-se às negociações entre Atenas e o lobby bancário que representa os credores privados do país.

pOSTADO PELO PROFESSOR FERNANDO